A bolsa portuguesa fechou em queda, sob pressão da Galp Energia, Jerónimo Martins e CTT, arrastada pelas quedas europeias, ainda pressionadas pela desilusão com as medidas anunciadas ontem pelo BCE, segundo operadores.

A petrolífera Galp fechou a perder 1,28%, depois da Organização dos Países Produtores de Petróleo terem decidido manter os níveis de produção próximos de máximos recorde, apesar da depressão de preços.

A Jerónimo Martins recuou 1,36%. A número dois do retalho nacional continua a ser penalizada pelo 'newsflow' em torno da introdução de um novo imposto sobre as retalhistas na Polónia, ao passo que os CTT refletem um corte de preço-alvo por parte de uma casa de investimento internacional.

Os CTT contraíram 1,23%. A Jefferies cortou 6,4% o preço-alvo dos CTT para 11 euros, claramente acima da cotação atual, dado estar mais conservador acerca das receitas do BancoCTT, embora este seja uma vantagem do operador postal face aos seus pares europeus.

A EDP fechou a perder 0,77%, apesar da Investec a ter escolhido como uma das suas 'utilities' favoritas para 2016.

A boa rentabilidade é suportada pelo momento positivo em termos de 'cash-flow' e pela ligação à China Three Gorges.

A telecom NOS recuou 0,77%. Na banca, o Millennium bcp perdeu 1,02%, o Banif 5%, mas o BPI fechou a subir 3,7%.

O stoxx 600, que segue as 600 maiores cotadas na Europa, fechou a cair 0,41%.

"A questão principal é que os mercados estavam com expectativas muito elevadas quanto ao BCE e ficaram desiludidos. (Contudo) em Portugal, as quedas não são muito pronunciadas", disse Gualter Pacheco, dealer da Go Bulling, no Porto.

O corte de 10 pontos base das taxas de depósito junto do BCE para -0,3% e a extensão do programa de compra de dívida por mais seis meses até Março de 2017, ficou aquém do esperado.

Muitos investidores esperavam medidas mais agressivas, incluindo uma aumento da escala do programa de compra de obrigações.

Esta tarde, os Estados Unidos anunciaram que a sua economia criou 211.000 postos de trabalho em Novembro, segundo os dados 'non farm payrolls', acima dos 200.000 empregos esperados.

A taxa de desemprego está nos 5%.

A robustez destes dados abrem caminho para, já em Dezembro, ocorra a primeira subida da taxa diretora da Reserva Federal dos EUA em quase uma década.

"Dezembro será um mês diferente, no qual podemos assistir a movimentos opostos por parte do Fed e do BCE. Vejo o BCE a manter-se 'on hold' no próximo ano, enquanto o Fed deverá voltar a subir taxas", disse Martin Van Vliet, estrategista de taxas sénior no ING.