A Bolsa de Lisboa encerrou em alta, a liderar as subidas na Europa, apoiada no disparo de 27% das ações do BPI, que foi alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo espanhol, e seu maior acionista, CaixaBank.

Foi um dia de negociações nervosas na Europa, com muita volatilidade depois das negociações entre a Grécia e os parceiros no Eurogrupo não terem chegado a uma conclusão.

Ontem, a Grécia rejeitou a proposta de extensão do atual resgate por mais seis meses, que considerou «inaceitável», rompendo as negociações entre ministros das finanças do euro sobre um plano para resolver a montanha de dívida helénica.

O Presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que a Grécia tem até sexta-feira para decidir se aceita estender o atual resgate.

O risco da Grécia sair do euro agravou-se com esta rutura mas um acordo é ainda visto como possível.

Em Portugal, o BPI brilhou, ajustando ao preço da oferta de 1,329 euros por ação do CaixaBank. Esta operação reforçará a posição do BPI na corrida pela compra do Novo Banco (NB).

Após lançar a oferta, que equivale a mais de 1.000 milhões de euros (ME) pelos 55,9% de capital que não detém no BPI, o CaixaBank disse que o segundo maior banco cotado na Bolsa portuguesa deverá continuar a analisar a aquisição do NB.

O índice eurofirst 300, que segue as 300 maiores cotadas do continente, fechou a subir uns ligeiros 0,09%, mas a Bolsa de Atenas caiu 2,45%.

O CaixaBank sublinhou que o preço incorpora um prémio de 27% em relação ao fecho da sessão anterior. O Grupo La Caixa detém 44,1% dos direitos de voto acionista no BPI.

O BPI contagiou positivamente todo o sector financeiro nacional. O Millennium bcp fechou a ganhar 6,93% e o Banif 3,45%.

«Há uma espécie de efeito contágio, é sinal que o sector está atrativo», disse Albino Oliveira, analista da Fincor, citado pela Reuters, vincando: «se há alguém a olhar para a empresa, é um sinal positivo para o sector e, para o mercado como um todo, acaba por ser notícia positiva».

A EDP fechou a subir 1,68%, a EDP Renováveis 0,3% e a telecom NOS 1,2%.

O prémio de risco soberano da Grécia, refletido nos juros das obrigações do tesouro (OT) a 10 anos, agravou-se. Os juros das OT a 10 anos da Grécia sobem 70 pontos base para 10,62%.

As portuguesas aliviam 3 potos base para 2,37%.