As quedas da banca e da Mota-Engil levam a Bolsa de Lisboa a cair 1%, acompanhando as desvalorizações europeias, com a quedas do preço do petróleo e o temor de uma crise financeira na Rússia a assustar os investidores, cujas atenções estão centradas na Grécia, que realiza hoje o primeiro de três votos presidenciais, segundo a Reuters.

As ações do Millennium bcp descem 1,9% e as do BPI recuam 3,9%. O BPI anunciou ontem ao mercado que o rácio de capital common equity Tier 1 (CET1) descerá 0,9 pontos percentuais (pp) para 8,9% com a aplicação das regras europeias à exposição que tem na sua subsidiária BFA, que é o líder da banca de Angola.

Adicionalmente, o board deste que é o segundo maior banco cotado de Portugal deliberou que entregará ao Fundo de Resolução uma manifestação de interesse para comprar o Novo Banco, a instituição que ficou com os ativos não-tóxicos do colapsado Banco Espírito Santo (BES).

«Parece-me que é a notícia da queda deste rácio de capital do BPI que está a ter um impacto negativo no título, até porque a formalização do interesse no Novo Banco já era esperada e, de certa forma, vista como positiva, pois permite ao banco consolidar quota de mercado doméstico», disse Albino Oliveira, analista da Fincor, citado pela Reuters.

Nota negativa para a maior construtora portuguesa, Mota-Engil, a descer 2,69%, com as quedas dos preços das commodities a poder afetar a carteira de encomendas proveniente do mercado africano.

A EDP desce 0,1%. A Energias de Portugal anunciou ontem que vendeu activos de gás em três regiões de Espanha por 236 milhões de euros (ME).

As ações da Portugal Telecom perdem 0,5%, tendo as da brasileira Oi encerrado a última sessão a desvalorizar 4,2%.

A Oi defendeu ontem a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom, alegando que a alienação desses ativos permitirá reforçar sua capacidade financeira e participar de uma eventual fusão ou compra da TIM Participações.

Do lado dos ganhos destaque para a valorização de 1,5% da retalhista Jerónimo Martins e para subida de 0,4% da Galp Energia, apesar do preço do petróleo continuar em queda.

De resto, os principais índices bolsistas europeus seguem com quedas de até 1% em Milão, pressionados pela queda implacável do preço do petróleo e o temor de uma crise financeira na Rússia, no dia em que se realiza o primeiro de três votos presidenciais na Grécia.