As fortes desvalorizações da Banca levam a Bolsa de Lisboa a afundar 2,4%, liderando as quedas entre as pares europeias, com os juros soberanos a agravarem 20 pontos base para máximos de quatro meses, incorporando o cenário provável do novo Governo de centro-direita ser 'chumbado' pelos partidos de esquerda.

De acordo com a Reuters, a yield das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos segue nos 2,90%, contra 2,675% no fecho de sexta-feira.

"É um movimento que já estávamos a antecipar, tendo em conta a instabilidade política que estamos a viver, com as moções de censura, a queda do Governo e um novo Executivo de esquerda," disse João Lampreia, analista do Banco BiG, em Lisboa.

O Governo minoritário de centro-direita inicia hoje o debate do seu programa no Parlamento, mas a maioria de esquerda deverá derrubá-lo amanhã, após o Partido Socialista (PS) ter garantido o apoio dos partidos à sua esquerda a um Governo do PS.

"Os investidores estão finalmente a incorporar isto no preço no mercado, pois é um cenário que agora se torna concreto," referiu Lampreia, citado pela Reuters.


Banca afunda


Na Banca, as ações do Banif afundam 7,14%, as do BPI descem 3,65% e as do Millennium bcp desvalorizam 7,02%, pressionadas pelo aumento do risco político do país.

O BCP reage também ao desejo do Presidente da Polónia que os bancos locais, incluindo o Bank Millennium, subsidiária polaca do BCP, arquem com mais de metade dos custos de conversão de empréstimos em francos suíços para zlotys.

Na sexta-feira passada, o gabinete do Presidente da Polónia informou que os bancos do país deverão cobrir entre 50 e 90% dos custos da conversão de créditos imobiliários de francos suíços para zlotys. As negociações e trabalho em torno da nova legislação continua.

"A 'underperformance' tem a ver com as notícias vindas da Polónia. A intenção é penalizadora para o BCP, o mercado podia estar à espera de medidas não tão fortes, não tão significativas", disse Paulo Rosa, corretor da GoBulling no Porto.

Pressão adicional da EDP-Energias de Portugal, a cair 3,26%, da NOS, a perder 2,6%, e do sector do retalho, com a Jerónimo Martins a cair 1,05% e a Sonae a recuar 3,16%.

A EDP anunciou na passada sexta-feira que comprou uma participação de 25,3% na Portgas à GDF International e Suez Energy Services, subsidiárias da francesa Engie ENGIE.PA, por 42 milhões de euros (ME) e reembolsos de suprimentos de 13 ME.

A empresa adiantou, em comunicado publicado no site do regulador CMVM, que "a transação irá aumentar a participação da (subsidiária) EDP Gas – SGPS, S.A. na Portgas de 72% para 97,3%".

A Pharol e Mota-Engil estão também na lista dos títulos que mais perdem na sessão de hoje, com quedas de 5,58% e 3,87%, respetivamente.

Em terreno positivo negoceiam apenas a Altri e a Galp Energia, com a primeira a subir 1,05% e a segunda a ganhar 1,58%, em linha com as pares europeias, apoiadas nas valorizações do preço do petróleo nos mercados internacionais.