O presidente do BCP disse esta segunda-feira que o banco quer evitar um despedimento coletivo e que só o fará se os processos de rescisões amigáveis e reformas antecipadas não atingirem o objetivo, que passa pela saída de cerca de mil trabalhadores.

BCP com prejuízos de 740 milhões em 2013

«O que acordamos com os sindicatos é que tudo faremos para não haver despedimentos, mas sabendo que temos de cumprir o acordo [que fizemos com a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia]. O que vamos tentar fazer é um conjunto relevante de rescisões e reformas antecipadas para não entrarmos noutros mecanismos. Mas, repito, a nossa obrigação é cumprir o acordo», afirmou Nuno Amado, na conferência de imprensa de resultados de 3013, em que o BCP apresentou prejuízos de 740 milhões de euros.

Nuno Amado sublinha importância de consolidação no pós-troika

O plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, depois do Estado ter injetado 3.000 milhões de euros para o recapitalizar, prevê o corte de cerca de 135 milhões de euros nos custos com pessoal e a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017. Isto significa menos 1.084 colaboradores do que os 8.584 que o banco tinha em dezembro de 2013.

Com vista a evitar despedimentos, o banco propôs aos sindicatos reduções salariais e, no final de 2013, foi possível as partes chegarem a um pré-acordo para um corte temporário dos salários a rendimentos mensais ilíquidos superiores a mil euros. O ajustamento salarial temporário, que será progressivo consoante o salário dos trabalhadores (a média do corte situa-se nos 6%), irá manter-se em vigor até à saída do investimento público e o regresso do banco aos lucros.

A implementação dos cortes salariais deverá ocorrer durante o primeiro semestre, uma vez que ainda depende da alteração das convenções coletivas e da aprovação de uma portaria de extensão, e os cortes serão feitos nos suplementos e não nos salários base.

O ano passado, o BCP já contabilizou 126 milhões de euros em custos com saídas. Desses, disse hoje Nuno Amado aos jornalistas, 26 milhões de euros já foram utilizados em saídas naturais em 2013 e os restantes 100 milhões de euros estão destinados ao programa de rescisões e reformas antecipadas deste ano.

O BCP tem vindo a emagrecer os seus recursos humanos, acompanhando as exigências dos reguladores, mas também a queda do negócio bancário. Em 2012, o banco já tinha levado a cabo um amplo programa de corte de postos de trabalho, com mais de 1.000 trabalhadores a saírem da instituição, a maior parte através de rescisões amigáveis.

Já em 2013, saíram 398 trabalhadores do BCP, fechando o banco esse ano com 8.584 colaboradores. Quanto a agências, no fim de dezembro, o banco tinha 774 agências, menos 65 do que há um ano, tendo como objetivo reduzir esse número para 698 até 2015.