O Banif encerrou a sessão desta quinta-feira a tombar 30% na Bolsa de Lisboa, a maior de uma série de fortes quedas das últimas semanas. Só esta semana o valor das ações do banco já bateu mínimos históricos várias vezes, e neste momento valem apenas 0,0009 euros.

Desde o início do ano o banco já perdeu 84% do seu valor em bolsa. Contas feitas, esta quinta-feira o Banif vale apenas 41 milhões de euros na Bolsa de Lisboa.

Esta quarta-feira o Banif considerou “natural” que haja movimentações bruscas nas ações face ao processo que o banco está a atravessar, disse à Lusa fonte oficial da entidade financeira.

O Banif foi intervencionado pelo Estado no final de 2012, tendo recebido 1.100 milhões de euros de dinheiro público – 700 milhões de euros através de um aumento de capital e 400 milhões em capital contingente (a designadas CoCos), tendo já reembolsado 275 milhões destes instrumentos -, o que motivou uma investigação em curso na Comissão Europeia para verificar se a ajuda ao banco cumpriu as regras sobre auxílios estatais.

Segundo João Queiroz, diretor de negociação do banco Carregosa, o recuo das ações “tem a ver com o facto de o Banif ter pedido ajuda estatal [em 2012] para o apoiar num período de recapitalização, de equilíbrio de balanço”, e daquilo que é uma “medida transitória” ainda não ter sido ultrapassada e não haver novidades “sobre novos investidores que substituam o Estado”, pelo que os acionistas receiam que haja um “efeito de diluição” dos seus títulos.

No limite, se o Estado não conseguir encontrar um acionista privado, o banco poderá ter de ser intervencionado pelo Fundo de Resolução do Mecanismo Único de Supervisão. E é este receio que faz com que as ações estejam a tombar sucessivamente, segundo os analistas.

 As acções com cotações muito reduzidas, chamadas penny stocks, têm uma enorme volatilidade pois para cada variação nominal implica uma variação percentual tanto maior quanto menor for o valor do título.