As acções do Banif recuaram 57% para um mínimo histórico nos 0,0006 euros, castigadas pelas notícias que geram incerteza quanto à venda da posição do Estado no banco, apesar deste ter desmentido o cenário de resolução, segundo os analistas.

A TVI avançou ontem que está tudo preparado para uma intervenção no Banif caso não se encontre um novo acionista durante esta semana.

"Continuam os receios de que o banco venha a precisar de mais capital e de como irá decorrer o processo de venda e em que moldes, uma vez que o mercado considera que o banco não vai conseguir pagar o que deve ao Estado", explicou Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos.

Realça que "o facto do valor nominal do título ser tão baixo torna-o muito volátil e esta volatilidade não vai abrandar nos próximos dias".


O Jornal Público e ao canal de televisão TVI noticiam que o Governo português se prepara para se intervencionado esta semana, havendo perdas para os acionistas e depositantes acima dos 100.000 euros.

O banco desmentiu "categoricamente" a notícia da TVI que o Banif poderá ser intervencionado esta semana, com a parte boa a ir para a Caixa Geral de Depósitos, havendo perdas para os acionistas e depositantes acima dos 100.000 euros, e muitos despedimentos.

O Conselho de Administração do Banif reafirmou que se "encontra actualmente em curso, em articulação com as autoridades responsáveis, um processo aberto e competitivo de venda da posição do Estado Português no Banif, no qual se encontram envolvidos diversos investidores internacionais".

"Pelo que qualquer cenário de resolução ou imposição de uma medida administrativa não tem qualquer sentido ou fundamento", disse o Banif em comunicado.

Na passada sexta-feira, o Banif anunciou que tinha em curso um processo "formal e estruturado" para seleccionar um accionista estratégico que substitua o Estado, e quer vender activos imobiliários e crédito malparado.

O Estado é detentor de 60,5% do Banif, após em Janeiro de 2013, ter injectado 700 ME num aumento de capital do banco e mais 400 ME através de obrigações de capital contingente (CoCo's).

O Banif ainda tem de reembolsar 125 ME de Coco's, que deviam ter sido pagos em Dezembro de 2014, e os 700 ME que 'entraram' em acções.

Inicialmente estava previsto que o Banif encontrasse até 2017 um investidor privado que substituisse o Estado.

As acções do Banif seguem agora a cair 28,57% para 0,001 euros, quando o índice PSI20 desce 0,25%.