O Banif já chegou a derrapar mais de 20% em bolsa nesta terça-feira.

Por esta altura, os títulos do banco perdem 19,7% para 7 cêntimo, sendo que já trocou de mãos mais de 14 milhões de ações, dez vezes mais do que a diária de negociação do último ano.

As condições do aumento de capital do banco de 100 milhões de euros estão a afastar os investidores institucionais e a penalizar o valor da ação (a emissão de novas ações é a um cêntimo).

Na segunda-feira, o Banif iniciou a segunda fase do aumento de capital, num montante de 100 milhões de euros, com a venda ao público de ações a um cêntimo, dando também a possibilidade a quem comprar ações de comprar obrigações.

Em comunicado, o banco (do qual o Estado detém nesta altura 86,881% das ações) explicava que estas ações e obrigações de dívida poderão ser subscritas até dia 19 de julho mas que existem limitações à compra das obrigações.

Assim, as ações colocadas à venda desde segunda-feira têm um preço de 0,01 euros cada, enquanto as obrigações só poderão ser compradas por quem já detenha ações (antes desta operação ou que as compre já nesta operação).

Além de estarem reservadas a detentores de ações, o número de obrigações está limitado ao número de ações, numa proporção máximo de três obrigações por cada 100 ações. Assim, quem comprar as ações neste aumento de capital precisa de gastar um euro em 100 ações para poder comprar também três euros em obrigações (o valor nominal de cada obrigação é de 1 euro).

O Banif explicou ainda que estas obrigações terão uma maturidade de três anos e pagarão uma taxa de juro anual fixa de 7,5% e ainda que só garante obrigações para os primeiros 75 milhões de euros em ações (ou seja, para as primeiras 7,5 mil milhões de ações vendidas).

O banco realizou a 26 de junho a primeira fase do seu aumento de capital social, em 100 milhões de euros, numa operação que foi subscrita pelos principais acionistas, o que permitiu adiar a restante injeção de capital que levará o Estado deixar de ter o controlo do banco.

Estas ações vendidas na primeira fase do aumento de capital foram subscritas também a um cêntimo pelos acionistas de referência.

Em janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos no âmbito de um processo de recapitalização, o que deixou o Estado com o controlo de mais de 90% da instituição. Em contrapartida, ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros até ao final de junho para que o controlo do banco regressasse a mãos de investidores privados.

O banco também se comprometeu a devolver ao Estado, até ao final de junho, 150 milhões de euros do financiamento público que obteve através das chamadas Coco bonds (instrumentos de capital contingente).