O banco norte-americano Morgan Stanley considera que, se o regresso de Portugal aos mercados for adiado, o país vai precisar de «um apoio oficial extra», seja uma linha cautelar ou um segundo resgate, e não de uma reestruturação da dívida, adianta a Lusa.

No relatório 'Greece versus Portugal: Shifting Sentiment', em que analisa e compara as situações de Portugal e da Grécia, o banco refere que «se um regresso completo ao mercado for adiado, então Portugal vai precisar de um apoio oficial extra, na forma de uma linha de crédito cautelar ou na forma de um segundo resgate, dependendo da situação - e provavelmente vai consegui-lo - em vez de uma reestruturação da dívida».

Para o Morgan Stanley, as condições para que Portugal consiga este apoio oficial extra são, por um lado, a evolução positiva da economia que já deu sinais de recuperação e, por outro lado, a continuidade das reformas em curso e a execução do Orçamento do Estado para 2014.

Referindo que o Governo português pretende emitir títulos de dívida no valor de 10,5 mil milhões de euros em 2014 e que vai receber da troika 7,9 mil milhões de euros, o Morgan Stanley recorda que o último desembolso do empréstimo oficial é em junho de 2014, depois do qual não vai haver financiamento da UE e do FMI ao abrigo do programa atual. No entanto, de acordo com a nota do banco norte-americano, um dos riscos que se colocam é a situação política.

Citi também afasta reestruturação de dívida

Também o banco norte-americano Citigroup afasta uma reestruturação da dívida portuguesa, como aconteceu com a Grécia. O banco concorda com o Morgan Stanley no que toca à dificuldade de Portugal regressar aos mercados quando o programa de assistência terminar, em junho do ano que vem. Por isso, diz, será necessário o apoio da União Europeia.

«O programa de resgate português termina em Junho de 2014 e permanece incerto se Portugal vai pedir ajuda adicional. Dado o esforço orçamental que ainda está por implementar, a desalavancagem do setor privado e a consequente perspetiva de um fraco crescimento nominal do PIB, continuam a persistir dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública», escreveu o Citi numa nota enviada aos clientes no passado dia 18, sexta-feira.



«As necessidades de financiamento do Estado no período entre 2014-2016 são grandes», sublinha o banco, que «antecipa uma linha de crédito preventiva condicionada», prevendo que a mesma seja acordada antes do final do atual programa de resgate.

Ainda não está, contudo, afastada a possibilidade de um cenário menos favorável para o nosso país: o de um segundo resgate, caso o sentimento do mercado relativamente à nossa dívida piore.



«Em qualquer caso, pensamos que uma restruturação de dívida pública ao estilo grego é improvável no futuro próximo, mas uma reestruturação de algumas obrigações contingentes do Governo ainda é uma possibilidade», pode ler-se na nota do Citi.



O principal risco identificado pelo banco de investimento é o rácio da dívida, que no ano passado ultrapassou os 124% do PIB e que este ano deverá aproximar-se dos 128%. «Se o crescimento nominal do PIB permanecer negativo nos 2%, o rácio de dívida vai explodir», avisa. Por isso, «é preciso mais esforço orçamental».

Mas, do lado positivo, o banco assinala o «empenho do Governo português na implementação do programa», que «assegura que o Estados-membros da Zona Euro disponibilizarão alguma ajuda adicional em forma de linha de crédito preventiva condicionada ou um pacote de ajuda total, caso seja necessário».

O presidente do Eurogrupo disse hoje que ainda é cedo para saber se o país precisará de um segundo resgate.