A Agência Internacional de Energia (AIE) reviu esta sexta-feira em ligeira alta a estimativa da procura global de petróleo para 2013 e 2014, devido em parte aos sinais de recuperação na Europa.

Segundo a AIE, que também justifica a revisão pela maior utilização de petróleo para gerar eletricidade, o consumo de petróleo será este ano em média de 91 milhões de barris por dia.

Esta estimativa traduz um aumento diário de 1,1 milhões de barris por dia, face a 2012, e de 90.000 barris adicionais em relação às estimativas da AIE do mês passado.

No relatório mensal, citado pela Lusa, a AIE também reviu em alta a estimativa para 2014, ao prever uma procura de 92,1 milhões de barris por dia.

Entre as explicações para esta correção, estão, em primeiro lugar, «os sinais de melhoria da economia europeia, que se estão a traduzir numa quebra das necessidades de petróleo inferior à que se verificava anteriormente», refere a AIE.

A procura dos países europeus pertencentes à AIE descerá para 14,2 milhões de barris por dia, contra 14,4 milhões de barris diários em 2012, e para 14,1 milhões de barris por dia em 2014.

O relatório também refere que noutras regiões se estão a utilizar derivados do petróleo para gerar eletricidade para substituir outros combustíveis.

Por exemplo, a utilização de derivados do petróleo para gerar eletricidade para substituir outros combustíveis ocorre no México devido a problemas de fornecimento de gás natural, no norte de África e no Médio Oriente, bem como no Japão devido à paragem das centrais nucleares.

A AIE dedica particular atenção neste relatório à análise de dois fenómenos inversos na oferta de petróleo, a descida da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), devido sobretudo à Líbia e ao Iraque, que é compensada por um acréscimo histórico do fornecimento de países que não pertencem ao cartel.

Em setembro, entraram no mercado 91,12 milhões de barris por dia, traduzindo uma quebra de 625 mil barris desde agosto, mas um aumento de 630 mil barris face a setembro de 2012.

A OPEP baixou a barreira dos 30 milhões de barris por dia pela primeira vez em 10 anos e em setembro produziu 29,99 milhões de barris por dia, ou seja menos 645 mil barris do que no mês anterior e o nível mais baixo desde outubro de 2011.

Isto, apesar da Arábia Saudita ter ultrapassado pelo terceiro mês consecutivo a barreira dos 10 milhões de barris por dia (10,12 milhões de barris por dia em setembro).

Entretanto, e num contexto de insegurança e de confrontos tribais, a produção da Líbia afundou-se em setembro, não tendo ultrapassado 300.000 barris diários, depois de 550.000 barris por dia em agosto e um milhão em julho.

Ainda que em menor medida, o Iraque também foi responsável pela queda da produção da OPEP por ter passado de 3,22 milhões barris por dia em agosto para 2,82 milhões em setembro.

Fora do cartel, os outros produtores aumentaram as extrações em 20 mil barris diários em setembro para 54,61 milhões de barris por dia e em 2013 deverão atingir uma média de 54,7 milhões de barris por dia, traduzindo uma subida de 1,1 milhões de barris por dia face a 2012.

Para 2014, o ritmo de progressão será o mais elevado desde os anos 1970, com um acréscimo de 1,7 milhões de barris por dia.

Os Estados Unidos vão ser o grande protagonista deste movimento, já que depois de terem superado nos últimos dois trimestres os 10 milhões de barris diários, estão destinados a converter-se no maior produtor fora da OPEP em 2014, acima da Rússia.

O relatório da AIE constata que uma das consequências deste novo equilíbrio entre os dois blocos de produtores é a aproximação dos preços do barril Brent, associado aos países da OPEP e do Médio Oriente, e do barril WTI (West Texas Intermediate), extraído no Golfo do México e negociado em Nova Iorque.