A produção de petróleo no Iraque, onde há mais de uma semana estalou uma crise entre extremistas sunitas e o regime xiita, corre «sérios riscos» devido sobretudo ao ressurgimento da violência, alertou esta terça-feira a Agência Internacional de Energia.

No relatório que publica a meio de cada ano, a organização estima que o Iraque passe a ser responsável por três quintos da produção mundial até 2019, mas refere que esse cenário corre «sérios riscos».

O Iraque «deverá aumentar o volume da sua produção para 1,28 milhões de barris diários» nos próximos cinco anos, refere a Agência Internacional de Energia (AIE).

No entanto, essa estimativa «está sujeita a grandes ameaças», nomeadamente «instituições frágeis, a crescente burocracia, o ressurgimento da violência na sequência da guerra civil na Síria que levou a que, no momento em que este relatório foi escrito, se assistisse a uma campanha militar dos rebeldes sunitas», avança o relatório.

O Iraque é palco de um conflito armado desde a semana passada, quando rebeldes sunitas liderados pelo EIIL iniciaram uma ofensiva no norte do país.

Os rebeldes ocuparam várias cidades, entre as quais Mossul, a segunda do país, e ameaçam avançar para Bagdade e os santuários xiitas de Kerbala e Nayaf, o que despertou novos receios a um conflito sectário em larga escala.

Embora em menor escala, a produção de petróleo noutros países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) também levanta dúvidas à AIE, que alerta para as «preocupações com a segurança» que «desencorajam os investidores».

Os países da OPEP vão continuar a ser «fornecedores poderosos do mercado», mas vão confrontar-se com «fortes ventos contrários ao aumento das suas capacidades» produtivas, prevê a agência.

Em compensação, a América do Norte, e sobretudo os Estados Unidos, tem «capacidade para se tornar um exportador líquido de petróleo» graças ao boom do petróleo de xisto (LTO ou light tight oil).

De acordo com a AIE, nos Estados Unidos, a produção de petróleo LTO ¿ que usa técnicas de fratura hidráulica e horizontal, perigosas para o ambiente mas com custos muito menores ¿, poderá chegar aos cinco milhões de barris por dia em 2019, o que representa mais do dobro do volume registado no ano passado.

«Vários países vão tentar imitar o sucesso americano» nesse campo, avisou a AIE citando o Canadá, a Rússia e a Argentina.

Por seu lado, a procura de petróleo irá continuar a crescer nos próximos anos - à razão de 1,3% por ano, segundo as estimativas da AIE -, devendo atingir os 99,1 milhões de barris diários até 2019.

Esse ano poderá corresponder a um «ponto de inflexão», a partir do qual «a procura poderá começar a desacelerar devido ao preço alto, às preocupações com o ambiente e à existência de alternativas mais baratas», adianta a organização internacional no relatório.