A Grécia prepara-se para ceder em alguns pontos para chegar a um acordo com os parceiros europeus.

A Grécia vai submeter já esta quinta-feira um pedido à zona euro para que seja estendido o empréstimo ao país por mais seis meses. Inicialmente foi divulgado que esse pedido poderia ser anunciado já hoje, mas acabou por ser adiado.

Entretanto, a  Comissão Europeia aguarda uma proposta escrita de Atenas antes de se pronunciar sobre uma eventual prorrogação do programa de ajustamento. 

Recorde-se que já houve duas reuniões do Eurogrupo que terminaram sem qualquer entendimento. Ainda ontem o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou que a «Grécia não aceita ultimatos».

Aqui estão algumas das propostas da Grécia, de acordo com os documentos divulgados, aos quais a Reuters teve acesso:

- Atenas quer um prazo entre três a seis meses para o país e os parceiros europeus chegarem a um «entendimento mínimo»;

- Atenas sugere uma transferência direta para o Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1,9 mil milhões de euros dos lucros obtidos pelo Banco Central Europeu sobre as suas detenções de títulos de dívida gregos;

- Atenas está disponível para honrar os compromissos dos seus empréstimos, não tomar nenhuma decisão que ponha em causa as metas orçamentais e compromete-se ainda a não tomar nenhuma medida que vá no sentido de não pagar a dívida;

- Atenas vai pedir aos parceiros que concordem que, durante o período de transição não haverá medidas de car+ater «recessivo», tais como cortes de pensões e aumento de impostos;

- Atenas acredita que o financiamento de curto prazo do país e as condições para que isso aconteça são «questões técnicas» que podem resolver-se «dentro de um dia ou dois, desde que a vontade política esteja presente».

- Atenas diz que o seu governo está «pronto e disponível» para pedir uma extensão do empréstimo até o final do mês de agosto ou até «qualquer outra duração que o Eurogrupo julgue conveniente»;

- Atenas concordará om uma «revisão completa» por parte da Comissão Europeia no final desse período.

Entendimento tem caráter de urgência

Recorde-se um acordo entre Atenas e o resto da Europa é urgente, em virtude de o atual programa de resgate expirar a 28 de fevereiro. Atenas tem reembolsos a fazer, está a ficar sem dinheiro e arrisca-se mesmo, se não houver acordo, a entrar no mês de março em incumprimento.

Um cenário de incumprimento seria um dos piores para o país e para a restante Europa. A verificar-se, Atenas não teria dinheiro para pagar aos credores e nem para cumprir com as suas obrigações internas, como o pagamento de salários e pensões aos seus funcionários.