As ações do BPI retomaram a negociação a estenderem os fortes ganhos de ontem a subirem 1,53%, após os dois maiores acionistas terem confirmado conversações sobre alternativas para solucionar a exposição do banco BPI à subsidiária Banco Fomento de Angola (BFA), como exige o BCE.

Entretanto, os títulos do banco inverteram a tendência e seguem a corrigir. Perdem agora 0,59% para 1,17 euros.

As ações do BPI foram suspensas pela CMVM ontem de manhã, quando estavam a ganhar mais de 10%, na sequência de notícias que davam conta que o espanhol Caixabank está a negociar a compra da posição da empresária angola Isabel dos Santos.

Entretanto, ontem ao início da noite, o Caixabank e a Santoro confirmaram que têm mantido conversações sobre várias alternativas para solucionar a exposição do BPI à subsidiária BFA, como exige o BCE, mas ainda não há acordo.

O Banco Central Europeu (BCE) deu um prazo ao BPI, até 10 de Abril, para resolver este problema de exposição a grandes riscos, nomeadamente à 'jóia da cOroa' BFA, que é controlado em 50,1 pct pelo banco português e em 49,9% pela telecom angolana Unitel, cuja acionista-chave é Isabel dos Santos.

Este imbróglio da exposição a grandes riscos, em especial do BFA, surgiu após Bruxelas ter obrigado o BPI, a partir de Janeiro de 2015, a ponderar a 100% o risco da dívida pública angolana detida pelo BFA, do crédito ao Estado e das reservas mínimas de caixa no Banco Nacional de Angola.

Antes, aqueles ponderadores variavam entre zero% ou 20%, ou seja as novas regras dificultam o cumprimento dos exigentes rácios de capital impostos pelo BCE.