Os acionistas do BPI suspenderam hoje a assembleia-geral e adiaram para 17 de junho a votação da alteração dos estatutos, para deliberar sobre o fim do limite de votos, para que esta aconteça quando registada a OPA do CaixaBank, noticia a Lusa.

Na assembleia-geral de acionistas do BPI, que hoje decorreu no Porto com 80,52% do capital presente, foi deliberado suspender para 17 de junho a votação do ponto sete da ordem de trabalhos, que previa a votação do fim da blindagem dos direitos de voto a 20%.

Em causa está uma alteração estatutária decisiva para o sucesso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) - lançada em fevereiro pelo CaixaBank sobre a totalidade do capital do BPI, a 1,329 euros por ação - alteração essa que a acionista Santoro, de Isabel dos Santos, pretendia votar e inviabilizar já na assembleia-geral de hoje.

Isto porque a empresária angolana já deixou clara a sua oposição à oferta dos catalães, se estes não subirem o preço, tendo avançado como proposta alternativa uma fusão entre o BPI e o BCP para criação da maior entidade bancária portuguesa.

Em conferência de imprensa no final da assembleia-geral de hoje, o presidente do conselho de administração do BPI, Artur Santos Silva, revelou ter sido sua a iniciativa de apresentar uma proposta para suspensão da reunião para 17 de junho, salientando que o fez “no interesse do banco”.

“Em relação à proposta apresentada pela Santoro para ser aditada na agenda da assembleia-geral - a votação da desblindagem do banco, que é uma das condições do La Caixa para validade da sua oferta - eu próprio apresentei proposta para suspensão da assembleia porque considero que os acionistas não decidirão em consciência enquanto não dispuserem de todos os esclarecimentos, [ou seja], enquanto o acionista [Caixabank] não apresentar a sua oferta e o respetivo prospeto”, afirmou.


Convicto de que este adiamento “não prejudica o BPI”, Santos Silva considera “muito mais importante” que a desblindagem só seja votada “depois do registo [da OPA estar] concluído” e autorizado pelos reguladores.

“Acho muito importante que uma operação destas seja conhecida em todos os contornos pelos acionistas e pelo mercado em geral e tive garantias do executivo do Caixabank que o prazo de 17 junho acomodaria todas as vicissitudes do processo”, afirmou.


Na mesma linha, o presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich, considerou que o adiamento “pretende ajudar a que os acionistas decidam em melhores condições no interesse de todos” e destacou que a OPA foi “lançada pelo principal acionista do banco, que tem estado alinhado com o projeto”.

“A OPA é processo de negociação entre acionistas e que não perturba a vida do banco. É uma situação muito tranquila e pacífica, que se vive com muito maior normalidade do que outro tipo de situações que muitas vezes desencadeiam OPA”, sustentou, acrescentando que todos os intervenientes “são excelentes parceiros do banco”


No entanto, a Santoro, da angolana Isabel dos Santos, considerou “uma derrota para o próprio BPI” o adiamento da votação da desblindagem dos estatutos do banco, reiterando a sua oposição ao fim do limite aos direitos de voto na instituição.

“Esta decisão é uma derrota para o próprio BPI, infelizmente”, afirmou o presidente do conselho de administração da Santoro Finance, Mário Silva, em declarações aos jornalistas no final da assembleia-geral do banco português.


Os atuais estatutos do BPI limitam os direitos de voto dos acionistas a 20%, independentemente do número de ações detidas, o que significa que o seu maior acionista, o CaixaBank, com 44% do capital, só pode votar com 20%.

Por esta razão, os catalães colocam como condição de sucesso da OPA a desblindagem dos estatutos do BPI, de modo a poderem controlar o banco liderado por Ulrich.

Contudo, esta alteração dos estatutos terá de ser aprovada por 75% do capital presente em assembleia, o que significa que Isabel dos Santos, que tem 19% do capital, pode vetar a desblindagem, "matando" a OPA ou forçando uma revisão dos seus termos.

Tendo hoje conseguido, como pretendia, não levar ainda a votos a desblindagem dos estatutos, o Caixabank virá propor a votação do fim do limite dos direitos de voto a 17 de junho, na continuação da assembleia-geral de hoje.

O Caixa Bank lançou a 17 de fevereiro uma OPA sobre a totalidade do capital do BPI a 1,329 euros por ação, um preço considerado baixo pela administração do banco português.

Duas semanas depois, a angolana Isabel dos Santos avançou uma proposta alternativa de fusão entre o BPI e o BCP, que permitiria criar a maior entidade bancária portuguesa.

Segundo salientou recentemente o presidente da Santoro, Mário Silva, a fusão com o BCP "visa criar uma alternativa viável" à OPA, tratando-se de uma solução geradora de valor para os acionistas dos dois bancos ao permitir criar “o maior banco português, com posições de referência em três mercados de extremo potencial - Angola, Moçambique e Polónia”.