Clientes de eletricidade em mercado livre queixam-se de pagar estimativa de consumo quando comunicam mensalmente a leitura, denuncia a Deco – Associação de Defesa do Consumidor, que alerta para as consequências no orçamento das famílias.

Fonte oficial da Deco adiantou à Lusa que a associação tem recebido várias queixas de clientes domésticos no mercado liberalizado de eletricidade relativas a faturas com base em estimativas, quando comunicam a contagem real ao comercializador ou ao operador de rede.

«O consumidor faz a leitura, mas quando recebe a fatura é com uma estimativa e não reflete a contagem comunicada», explicou a mesma fonte, realçando que, «em tempos de crise, pode fazer muita diferença no orçamento de uma família».

A Deco já comunicou esta «preocupação» à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, aos comercializadores e ao operador da rede de distribuição (EDP Distribuição), acrescentou.

Como acontecia no mercado regulado, os clientes que estão no mercado livre podem comunicar as leituras recolhidas ao comercializador - EDP Comercial, Galp Energia, Endesa, Iberdrola, Gas Fenosa, Fortia e Goldenergy - ou ao operador da rede - EDP Distribuição -, através de comunicação telefónica ou eletrónica.

Contatada pela Lusa, a EDP Distribuição explicou que a contagem de consumos, quer seja comunicada pelo leitor, pelo cliente ou pelo comercializador, é disponibilizada após validação, por um sistema informático, ao comercializador.

De acordo com a síntese mensal da ERSE, o mercado livre de eletricidade alcançou um número acumulado de cerca de 3.179 mil clientes em setembro, com um crescimento líquido de mais de 99 mil clientes face ao mês anterior, o que representa uma subida de 3,2%.

Assim, cerca de 2,6 milhões de consumidores continuam no mercado regulado de eletricidade, tendo até ao final de 2015 para migrar para o mercado liberalizado.