O presidente da Câmara de Sintra prometeu esta segunda-feira fazer "tudo o que estiver ao alcance" para manter a fábrica de bolachas da Mondeléz, em Mem Martins, que anunciou o encerramento em 2016, despedindo uma centena de trabalhadores.

"Espero que a empresa perceba que tem uma marca a defender em Portugal e que essa marca deve ser salvaguardada de ficar ligada a um despedimento que põe mais de 90 famílias numa situação de grande precariedade", afirmou à Lusa Basílio Horta (PS), após reuniões com a direção da Mondeléz, o sindicato e a comissão de trabalhadores.


A Mondeléz Internacional anunciou, no início do mês, que vai encerrar a fábrica de bolachas em Mem Martins, no terceiro trimestre de 2016, transferindo a produção para a República Checa.

A multinacional que sucedeu à Kraft Foods é dona das marcas Triunfo e Proalimentar e detentora das bolachas Oreo e dos chocolates Cadbury.

O presidente da autarquia, antigo responsável pela AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), pediu ao atual presidente do organismo, Miguel Frasquilho, para receber a empresa e explicar-lhe que a decisão "tem consequências externas".

Basílio Horta também falou com o chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, para que seja manifestado junto da empresa, em Zurique, "o transtorno que [o encerramento] causa a Sintra e a Portugal, porque são bens alimentares que deixam de ser produzidos no país e passam a ser importados".

"Esta empresa fez há pouco tempo um investimento de quatro milhões de euros na modernização do seu equipamento e estamos disponíveis para criar todas as condições para a empresa não se ir embora", salientou o autarca.


Para Basílio Horta, a decisão da Mondeléz é difícil de aceitar quando "não há prejuízo" na laboração da unidade, apenas resultados menos satisfatórios, e desafiou a multinacional a levar em conta "o que significa socialmente" o despedimento de cerca de uma centena de trabalhadores.

Segundo Fernando Rodrigues, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (Sintab), o presidente da autarquia assegurou que "nem o Governo, nem a Câmara de Sintra, veem com bons olhos a saída da empresa de Portugal e que irão fazer tudo o que for possível para apoiar a sua manutenção".

O coordenador do Sintab, que acompanhou a comissão de trabalhadores na reunião com Basílio Horta, após o encontro com a direção da empresa, salientou que "a empresa não tem vontade de ficar em Portugal", mas prometeu que os trabalhadores vão resistir ao fecho da fábrica.

"Infelizmente, e após muita análise e reflexão, tendo em conta as atuais circunstâncias, a única opção é encerrar a fábrica. Por isso, vamos iniciar um processo de diálogo aberto com os representantes dos trabalhadores", respondeu á Lusa, por escrito, a direção da Mondeléz.


A multinacional reiterou que "investiu mais de quatro milhões de euros na fábrica de Mem Martins nos últimos três anos", com o objetivo de aumentar a competitividade, mas que, "apesar destes esforços, a situação na fábrica mantém-se muito difícil".

"A unidade fabril de Mem Martins não apresenta condições para atualizar nem expandir a linha de produção", explica a Mondeléz, acrescentando que a unidade "neste momento está a utilizar apenas 35% da sua capacidade produtiva", situação que se verifica desde 2012.

Numa nota à comunicação social, a 02 de novembro, a empresa anunciou que "a maioria da produção da fábrica portuguesa vai ser transferida para a fábrica de Opava na República Checa" e que vai oferecer serviços de 'outplacement' aos trabalhadores, dos quais 97 são permanentes.