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«Excesso da austeridade é uma tontice à portuguesa»

Medina Carreira considera que falta «agenda do crescimento», mas avisa que Portugal «tem de gastar apenas o que tem»

Por: Redacção / JF    |   2012-05-02 22:21

O antigo ministro das Finanças Medina Carreira disse esta quarta-feira que a ideia de «excesso de austeridade é uma tontice à portuguesa» e sustentou que falta uma «agenda do crescimento» num país que ignora como aumentar consumo e investimento.

O fiscalista criticou os discursos como os do secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, que «mostram a austeridade como um papão», quando, com este acordo de assistência financeira, «a troika está apenas a dizer que Portugal tem de gastar apenas o que tem».

Em Leiria, durante uma conversa com o empresário Henrique Neto promovida por uma livraria, Medina Carreira explicou que «a austeridade é uma fatalidade porque não há dinheiro», mas defendeu que Portugal «precisa de uma agenda de crescimento, de uma política que faça consumir mais, vender mais, exportar mais e importar menos».

O problema, contudo, é que ninguém em Portugal e na Europa «sabe o que fazer».

O ex-governante criticou ainda «as grandes personalidades que têm a tendência para fazerem de treinadores, a começar pelo Presidente da República, com o discurso de que é preciso ter ânimo, mas que só criam balneário», quando o que as pessoas «querem é saber como vão ganhar dinheiro».

É precisamente «no investimento que está o grande busílis e sem ele nem o desemprego nem a pobreza diminuem».

Henrique Neto concordou com Medina Carreira, afirmando que «com estes políticos e esta política não se podem esperar melhorias», mas preferiu apontar o distrito de Leiria como um exemplo a seguir no país e que devia ser alvo de estudo, em especial em tempo de crise.

«Apesar do desemprego e das falências, apesar de tudo, o distrito de Leiria está numa situação mais favorável», destacando o facto de «as exportações estarem a crescer ao dobro da média nacional».

O empresário revelou que só no início deste ano as exportações da indústria das conservas em Peniche cresceram 169 por cento.

Por outro lado, destacou o facto de o número de empresas criadas em Leiria ser superior às que encerram. Em 2010 fecharam 862 e em 2011 desapareceram 819. Mas em 2011 foram criadas 1.351, mais 119 que no ano anterior.

O ex-dirigente socialista disse que este sucesso deveria ser alvo de estudo e de interesse, mas avançou com uma explicação central: «A economia de Leiria não depende do Estado».

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