O Banco Central Europeu vai começar a comprar dívida de empresas a partir de junho, anunciou o presidente da instituição. Mario Draghi explicou que esta medida se destina a empresas que não sejam bancos, classificadas com grau de investimento e com dívida a ter de ser paga até 30 anos.

Será então em junho que vai ter lugar a primeira das novas operações de refinanciamento a longo prazo, quatro anos.

Na reunião da política monetária deste mês, que teve lugar precisamente esta quinta-feira, o BCE decidiu manter as taxas de juro nos níveis fixados em março, com a principal taxa de refinanciamento em 0%, um mínimo histórico. E assim continuarão, "no nível mais baixo por um período prolongado", indicou.

BCE puxa dos galões, mas avisa que não pode fazer tudo sozinho

Quanto aos avisos feitos aos governos europeus, a mensagem é repetida, mas desta vez num tom mais incisivo. O presidente do Banco Central Europeu defende que a política europeia deve "fazer muito mais" para apoiar a economia e secundar os esforços do Banco Central Europeu para impulsionar o crescimento e os preços na zona euro. Porque, afinal de contas, o BCE pode fazer muito, mas sozinho não conseguirá fazer tudo. 

"Para colher os benefícios das nossas medidas de política monetária, outras esferas devem contribuir de forma muito mais decisiva a nível nacional e a nível europeu", declarou, em conferência de imprensa.

"Com algumas raras exceções, a nossa política monetária tem sido a única nos últimos quatro anos a apoiar o crescimento. A nossa política funciona, é eficaz, dêem-lhe tempo para ser totalmente eficaz. Se houver reformas estruturais, o efeito dessa política será mais rápido"." 

Draghi reiterou que o BCE continua determinado a fazer tudo para estimular a inflação. "Se for necessário, utilizaremos todos os instrumentos disponíveis no âmbito do nosso mandato", garantiu, depois de o BCE já ter reforçado, na reunião de março, as medidas de estímulo, com um corte das taxas de juro e um aumento do programa de compra de ativos, que passou de 60 mil milhões de euros mensais para 80 mil milhões de euros.

A 7 de abril, o presidente do Banco Central Europeu esteve em Lisboa a convite do Presidente da República para participar no Conselho de Estado e saudou os compromissos das autoridades portuguesas para preparar medidas a realizar "quando" necessário. No entanto, ao mesmo tempo, advertiu o Governo no que toca ao caminho a seguir em relação às reformas necessárias para melhorar a economia portuguesa. 

Draghi responde às críticas da Alemanha

Mario Draghi defendeu ainda a independência da instituição, quando questionado sobre as recentes críticas do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, à redução das taxas de juro. Essas declarações mereceram hoje resposta:

"Temos um mandato para proporcionar estabilidade de preços em toda a zona euro e não apenas na Alemanha, este mandato foi determinado por lei e nós obedecemos à lei, não aos políticos".

"O conselho de governadores é unânime na defesa da independência do BCE e na conformidade da política monetária atual", assinalou.