O presidente do Conselho Geral Independente, António Feijó, considerou esta terça-feira ser necessário nomear uma administração para a RTP «o mais rapidamente possível» e disse que será aquele órgão a definir o modelo de escolha.

O presidente do órgão supervisor da RTP falava aos jornalistas à margem da comissão parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, onde o CGI foi ouvido após a audição da administração da estação pública, no âmbito de um requerimento do Bloco de Esquerda.

Este requerimento surge na sequência da apresentação pelo CGI da proposta de destituição do Conselho de Administração da RTP, que apontou como principal razão para a destituição o facto do Projeto Estratégico apresentado pela equipa de Alberto da Ponte ser «débil».

«Dentro dos constrangimentos que temos queremos ter o mais rapidamente possível [a nomeação de uma nova administração], a empresa não pode estar em indefinição», considerou.

Questionado se a escolha pode ser por concurso, António Feijó sublinhou que não tem de ser necessariamente esta modalidade.

«Compete-nos decidir, gostávamos de o mais rapidamente possível» nomear uma administração, disse.

No entanto, tal só poderá acontecer após a pronúncia da administração da RTP, que tem data limite 19 de dezembro, seguida posteriormente da assembleia geral do acionista.

Só após a deliberação social unânime do acionista, que formaliza a destituição, é que haverá condições para avançar com uma nomeação, explicou.

Questionado sobre o modelo de escolha, António Feijó apenas disse que os membros do CGI estão a conversar e estão «firmes em alguns pontos», escusando-se a adiantar pormenores.

Em relação ao estudo sobre o retorno do investimento relativo aos direitos de transmissão dos jogos da Liga dos Campeões de futebol referido por Alberto da Ponte, António Feijó disse que os montantes são díspares.

«Diverge do que nos foram dados», mas «não falo disso cá fora, é atividade interna, a empresa merece respeito», adiantou.

Alberto da Ponte disse que o investimento para a transmissão da Champions é de cinco milhões de euros, o que significa que por três épocas o valor rondará os 15 milhões de euros.

O gestor disse esperar um retorno anual do investimento de 5,8 milhões de euros, dos quais 2,5 milhões de euros em receitas comerciais e 3,3 milhões de euros em custos de oportunidade «para transmitir os 18 jogos anuais».