O futuro Conselho de Administração da RTP, que será presidido por Gonçalo Reis, considera que os conteúdos da televisão pública a emitir não devem ser definidos pela área comercial, de acordo com o Projeto Estratégico divulgado esta quarta-feira.

O Conselho Geral Independente anunciou que por «decisão unânime» tomada numa reunião de 26 de janeiro os membros do órgão supervisor indigitaram Gonçalo Reis (presidente), Nuno Artur Silva (vogal) e Cristina Vaz Tomé (vogal responsável na área financeira) para a administração da RTP, tendo ainda divulgado o Projeto Estratégico elaborado pelos futuros administradores.

De acordo com o documento, «no operador público RTP não deve ser a vertente comercial a definir a natureza dos conteúdos a emitir, bem pelo contrário, a área comercial deve funcionar em articulação com as orientações das Direções de Conteúdos, que atuam com os seus próprios critérios».

Ou seja, «as políticas e os gestores de conteúdos têm primazia face às áreas comerciais, o que não implica que não se realizem os melhores esforços para capitalizar ao máximo a componente publicitária da grelha».

Os três futuros administradores consideram ainda, no Projeto Estratégico divulgado esta quarta-feira, que «deverão ser procuradas soluções junto do acionista Estado no sentido de tentar resolver o grave problema de insuficiência dos capitais próprios da empresa, que assumem hoje uma dimensão assinalável».

Além disso, «deverá realizar-se um esforço estruturado e persistente de estabilização do modelo económico da RTP junto dos vários intervenientes, do mercado e da comunidade financeira, cabendo à empresa a obrigação de transmitir com clareza os pilares do modelo e contribuir assim para a sua aceitação e credibilização», referem.

A RTP, acrescentam, «deverá funcionar num modelo de equilíbrio, assegurando que os seus custos operacionais se ajustam às receitas obtidas», que atualmente são a taxa para a contribuição audiovisual (CAV) e as receitas comerciais, depois de ter deixado de receber indemnização compensatória em 2014.

Os novos gestores defendem que no que diz respeito ao controlo de custos operacionais, «a orientação geral será realizar uma gestão com base em critérios de eficácia, utilizando rigorosas análises custo-benefício para as principais rúbricas de gastos e para os projetos de investimento, procurando sistematicamente ganhos de eficiência e produtividade».

Os esforços de contenção da RTP deverão concentrar-se «na esfera de gastos em fornecimentos e serviços de terceiros e em custos com pessoal associados a funções administrativas de baixo valor acrescentado, tentando salvaguardar os montantes a disponibilizar para grelha/produção de conteúdos, que são um fator diferenciador e essencial para garantir a relevância da oferta da RTP, bem como assegurando a capacidade» para a empresa «atrair e reter recursos humanos adequados nas funções estratégicas, nomeadamente as relacionadas com a produção e emissão de conteúdos, entre outras, como as áreas dos novos media, tecnologia, distribuição e promoção».

Adiantam que «deverão ser estudados e considerados programas e iniciativas que permitam a redução de custos estruturais, tanto de pessoal como de serviços externos, mesmo que impliquem investimentos iniciais e o aumento do nível de financiamento bancário, desde que se demonstre o respetivo retorno e os ganhos a prazo em termos de produtividade e competitividade da organização».

Os administradores indigitados, nas suas considerações iniciais, salientam que o Projeto Estratégico apresenta «uma visão futura sobre o papel da RTP como operador de serviço público de rádio e televisão e aponta os principais vetores de atuação a seguir nos próximos anos», e sublinham que o documento foi elaborado antes de assumirem funções.

No calendário de ação da nova administração, é apontado o primeiro semestre como o período para levantamento da situação atual da empresa, no qual se inclui ainda a recolha de boas práticas externas e sugestões internas de melhoria, esta última prolongando-se até início do segundo semestre.

A partir de meados do primeiro semestre, a administração propõe-se a definir a ambição para a RTP, os novos modelos a adotar e detalhar os objetivos e indicadores de desempenho.

A elaboração de planos de implementação está agendada para avançar no segundo semestre, com a execução das novas opções e seguimento calendarizados para a partir de meados do mesmo semestre.