O grupo Altice, que em Portugal detém a marca MEO, deve focar-se no essencial e deixar de lado quaisquer aquisições. A afirmação foi do administrador financeiro da empresa (CFO), em Dennis Okhuijsen, em conferência de imprensa.

"Temos que voltar às origens. Não procurar aquisições", disse Okhuijsen.

Num encontro com jornalistas, organizado por o Morgan Stanley em Barcelona, o responsável assegurou que “o foco, num futuro próximo, será “desalavancar” ativos na Europa”, ou seja, reduzir o rácio de dívida sobre EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), com uma redução de dívida líquida prevista de 50 mil milhões de euros).

A holding de comunicações, sedeada em Amsterdão, perdeu mais de metade do seu valor de mercado desde que anunciou os resultados do terceiro trimestre, a 2 de novembro, o que levou ao afastamento de o presidente-executivo, Michel Combes, na semana passada.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente atual, Patrick Drahi, focou o seu discurso na operação em França, assegurando que têm que manter os “clientes franceses satisfeitos”, e que os problemas da operação francesa, em tudo, estavam relacionados com "questões de gestão."

Para já, e para estancar perdas, o grupo adiou a mudança de imagem em França, o que permite libertar cash-flow.

Entretanto, o governo francês também já manifestou preocupações em relação à situação do grupo. O porta-voz do executivo, Christophe Castaner, não quis tecer grandes comentários, mas disse que o governo analisa com atenção a situação: "É uma empresa privada, obviamente, que cria empregos, infra-estruturas, e também suporta a economia francesa, olhamos com atenção, mas não vou comentar a situação de uma empresa privada", afirmou no brifing do Conselho de Ministros.

Em Portugal, a Altice está em fase de compra da Media Capital, que detém a TVI. Uma operação que consiste na aquisição pela MEO do controlo exclusivo da Media Capital, através da compra da totalidade do capital social da Vertix, SGPS, detentora de 94,69% do capital social da Media Capital, e do lançamento de uma operação pública de aquisição sobre o restante capital da Media Capital. O processo está atualmente nas mãos da Autoridade da Concorrência.