A Altice garantiu esta segunda-feira que se comprar a Media Capital, a TVI continuará disponível em "todas as plataformas existentes no mercado", considerando que a aquisição da estação televisiva promove "o pluralismo nos media".

Com o comunicado, a empresa francesa afirma querer responder aos seus concorrentes, que acusa de terem um "tom demagógico sobre a operação de compra da Media Capital", bem como clarificar a sua estratégia com esta operação.

Sublinhando que é "o maior investidor estrangeiro em Portugal nos últimos anos, com mais de 6.000 milhões de euros investidos na MEO", a francesa Altice defende que a sua estratégia para a Media Capital "trará benefícios significativos para o setor português dos media e para os consumidores portugueses".

Parecer não vinculativo

Sobre a proposta de compra da Media Capital, a Altice sublinha que o parecer da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) não é válido nem vinculativo, e "não poderá ser tido em consideração" pela Autoridade da Concorrência.

A ERC não emitiu um parecer válido relativo à aquisição da Media Capital por parte da MEO, sendo esse entendimento, em qualquer caso, expressamente não-vinculativo", refere o comunicado.

No comunicado, a Altice afirma também que "não tolerará tentativas" dos concorrentes de "desviar o rumo do processo" de compra da Media Capital pela MEO, nem "tentativas de transformar uma transação entre empresas privadas num assunto político".

Os comentários feitos em nome da democracia ou outras afirmações igualmente alarmistas feitas por concorrentes" são apenas "tentativas flagrantes de poderosos grupos económicos no sentido de perpetuar o 'status quo'", sustenta a empersa francesa.

Sonae e Impresa

A Altice lamenta que os grupos acusados não tenham hesitado em "atacar e intimidar os reguladores e outros envolvidos no processo, continuando a levar a cabo uma campanha claramente orquestrada contra a perspetivada transação" e dirige a crítica à Sonae.

É particularmente surpreendente ver um grupo como o Grupo Sonae, que sempre protestou contra a interferência política em processos anteriores em que esteve envolvido e em que falhou os seus objetivos, tentar trazer agora, quando lhe é conveniente, a política para o processo", lê-se no comunicado.

A Altice deixa também uma crítica ao grupo Impresa, ao afirmar que o Grupo Sonae/NOS e a Vodafone, que são os concorrentes mais diretos da Altice no setor das telecomunicações, "têm sido os mais alarmistas nas suas intervenções, com o apoio de alguns meios de comunicação social, entre os quais o Grupo Impresa, que tem sido o promotor mais diligente dessas intervenções".

A empresa francesa considera que está em curso uma "campanha sem precedentes orquestrada pelos [seus] concorrentes" que "apenas serve os interesses próprios dos operadores em causa e não reflete qualquer preocupação pelo bem-estar dos consumidores portugueses ou pelo futuro do setor".

O Conselho Regulador da ERC não conseguiu chegar a consenso sobre a operação de compra da Media Capital pelo grupo Altice, tendo o processo sido remetido para a Autoridade da Concorrência (AdC).