O diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, considerou «inaceitável» a forma como o governo grego «atacou» Portugal e Espanha, admitindo, numa entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, que se tem «irritado» com recentes declarações de Atenas.

Na entrevista publicada esta sexta-feira pelo diário económico alemão, ao ser questionado sobre declarações do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, segundo o qual a Grécia não acordou de forma voluntária com o compromisso acordado no último Eurogrupo para o prolongamento da assistência a Atenas, tendo sido alvo de «chantagem», Regling comentou que essa foi «uma de várias declarações recentes» que o «irritaram».

«Entendo perfeitamente que o governo ainda esteja a tentar ajustar-se ao seu novo papel cinco semanas depois das eleições, mas isto não é forma de tratar os outros», comentou o diretor do mecanismo permanente de resgate da zona euro.

Questionado sobre se a sua opinião se aplica também à forma como a Grécia acusou Portugal e Espanha de terem tentado minar um compromisso no Eurogrupo, Regling respondeu que sim.

«O governo em Atenas atacou Espanha e Portugal de uma forma que eu considero inaceitável», declarou, considerando «simplesmente errado» que Tsipras acuse os governos conservadores de Madrid e de Lisboa de terem tentado eliminar o seu partido de esquerda, Syriza.

Segundo Regling, «o que é verdade é que há uma diferença fundamental entre a Grécia e outros países do euro sobre estratégia de política económica».

«A Grécia quer muitas coisas feitas de forma diferente. Mas em Espanha e em Portugal, a combinação de consolidação orçamental e de reformas estruturais tem produzido bons resultados até ver: a economia está a crescer de novo e os défices orçamentais a baixar», disse.

No passado sábado, numa reunião do comité central do Syriza, Tsipras afirmou que, no Eurogrupo, a Grécia se deparou «com um eixo de poderes, liderado pelos governos de Espanha e de Portugal que, por motivos políticos óbvios, tentou levar a Grécia para o abismo durante todas as negociações», acusação que motivou queixas das autoridades de Madrid e Lisboa em Bruxelas.