O atual presidente do BES tóxico, Luís Máximo dos Santos, encontrou indícios de «atos lesivos» no banco, depois de ter assumido funções, na sequência da nomeação feita pelo Banco de Portugal, aquando a resolução que dividiu o Banco Espírito Santo em dois, em agosto de 2014. Não só descobriu, já depois do colapso, como reportou. E lamenta: «O maior lesado disto tudo foi o BES».

«Uma instituição com enorme passado, com prestígio e que por via disto tudo vai desaparecer». 

Sobre a identificação de atos lesivos da instituição, «claro que sim, sempre que tenhamos indícios deles, comunicaremos». Já o fez, de resto. Na comissão de inquérito sobre a derrocada do grupo e do banco, admitiu que sim, em resposta à deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. 

Tinha o «dever fiduciário» de comunicar. «Bom, há toda uma série de situações que estão sob investigação». «Já fiz efetivamente [a comunicação]. Mas não vou estar a particularizar»

Escudou-se na «barreira intransponível do segredo de justiça» para não falar de casos concretos, assinalando, ao mesmo tempo, que o seu trabalho é de administração e não de «entidade investigatória».

É preciso, assumiu, compor o puzzle: «Peças como auditoria forense e todo o conjunto de investigações em curso que certamente irão chegar a resultados que, depois, nos permitirão exercer reações no plano judicial, seja cível ou outro». Não exclui, portanto, a possibilidade de processar alguém.

Clientes: «É penoso»

Máximo dos Santos disse que tem tido «abertura» para receber clientes lesados pelo colapso do banco, através de associações «com interesses integrados». Já recebi, sim», admitiu. «É penoso para as pessoas».

«As próprias associações me dizem que estão a evitar» ir mais longe, «na expectativa que uma solução diferente possa emergir», acrescentou.

Na sua audição, o responsável do BES levantou o véu ao balanço do  banco mau, que será conhecido dentro de poucos dias. O  capital próprio do BES é «claramente negativo».  

Máximo dos Santos criticou, ainda,  a medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal, dizendo que tem  «lacunas importantes».  

Revelou, também, que  encontrou indícios de atos lesivos, ou seja, de crime, no seio do BES, quando assumiu funções já depois do colapso. Reportou-os e considera que, no final de contas,  «o maior lesado disto tudo foi o BES».  

Explicou  quem serão os primeiros clientes a ser reembolsados, havendo possibilidade para tal, admitindo, porém, que a entidade poderá  não ter capacidade financeira para pagar indemnizaçõesque resultem de processos judiciais, caso o BES seja condenado. 

Sobre o BES Angola,  não exclui a possibilidade de processar o banco angolano, pela assembleia geral em que o BES se viu impedido de participar, vendo a sua participação acionista ser arruinada. Em cima da mesa, dependendo das conclusões que se vierem a tirar sobre as investigações em curso, também poderá estar um processo contra a retirada da garantia de Angola que cobria os créditos emprestados pelo BES ao BESA.