A divulgação do balanço do Banco Espírito Santo - o bad bank, que para todos os efeitos existe, embora não possa receber depósitos nem conceder crédito - está para muito breve, mesmo «por dias», segundo o seu atual presidente, Luís Máximo dos Santos. Na comissão de inquérito ao BES e ao Grupo Espírito Santo, sem falar em números, adiantou já que será «claramente negativo».  

«O ativo bruto desses créditos dará um valor significativo, mas o ativo líquido, ou seja, aqueles que pensamos recuperar, é muitíssimo inferior. Todos os efeitos - incluindo da medida de resolução - capital próprio do BES será claramente negativo, claramente negativo, num valor muito significativo»


Já no final da audição, o tema das contas voltou:

«Quando revelarmos as contas do BES, vai verificar-se que o capital próprio não só está integralmente consumido, os seis mil milhões, como ainda é negativo. É negativo justamente porque, no quadro da medida de resolução, houve uma transferência de ativos e passivos, que tem um valor líquido negativo para o BES e positivo para o Novo Banco e ficaram os custos de determinadas operações aí, a impactar os seus resultados»


Perante a insistência dos deputados, especificou mais um pouco, descortinando que a medida de resolução, que considera ter «lacunas importantes», teve um grande impacto para estes números:

«Havia um capital próprio positivo, antes da medida de resolução, de 2,8 mil milhões. O impacto da medida, ou seja, os ajustamentos determinados pelo BdP, em articulação com a PwC, teve um valor negativo de 3,5 mil milhões, o que torna o capital próprio em 1,5 mil milhões negativos. E, a acrescer a isto, ainda irão ocorrer, por força de alguns eventos subsequente, como seja a impossibilidade de registar os impostos por ativos diferidos, seja a participação no BESA reduzida a zero.... Não me parece que haja aqui nada de extraordinário», diz Máximo dos Santos

De qualquer  modo, quis assinalar, já foi possível recuperar «um valor relevante de boa parte desse crédito». E parte desse dinheiro vem de empresas do próprio universo Espírito Santo. Da ES Saúde, por exemplo, «mas não só».

Sobre isso, Máximo dos Santos não revelou mais, por se sentir «um pouco constrangido pelos deveres da CMVM». A divulgação pública desse balanço trará, naturalmente, mais pormenores. E números em concreto.

Já quanto à exposição do BES ao GES, em valores brutos, afirmou que é da ordem dos mil milhões de euros.

Contou ainda que a  família Espírito Santo tem oito milhões de euros congelados no banco mau.

Revelou, também, que  encontrou indícios de atos lesivos, ou seja, de crime, no seio do BES, quando assumiu funções já depois do colapso. Reportou-os e considera que, no final de contas,  «o maior lesado disto tudo foi o BES».  

Explicou  quem serão os primeiros clientes a ser reembolsados, havendo possibilidade para tal, admitindo, porém, que a entidade poderá  não ter capacidade financeira para pagar indemnizaçõesque resultem de processos judiciais, caso o BES seja condenado. 

Sobre o BES Angola,   não exclui a possibilidade de processar o banco angolano, pela assembleia geral em que o BES se viu impedido de participar, vendo a sua participação acionista ser arruinada. Em cima da mesa, dependendo das conclusões que se vierem a tirar sobre as investigações em curso, também poderá estar um processo contra a retirada da garantia de Angola que cobria os créditos emprestados pelo BES ao BESA.