O presidente demissionário da Volkswagen, Martin Winterkorn, vai sair da liderança da construtora automóvel alemã com uma pensão 28 milhões de euros.

De acordo com o Financial Times, no ano passado, o salário fixo de Winterkorn foi de 1.617,025 euros, segundo o relatório anual mais recente da Volkswagen. Contas feitas, o executivo tem direito a receber uma pensão de 70% sobre esse valor, ou seja, as obrigações da empresa com a sua saída ascendem aos 28,57 milhões, no final do ano passado.

A acrescentar a este valor, será adicionada uma possível indemnização pela cessação antecipada do contrato, concedida pelo Conselho de Supervisão e cujo limite é fixado no "máximo de dois anos de remuneração".

Martin Winterkorn recebeu um total de 16,6 milhões de euros em 2014 e de 15 milhões em 2013, de acordo com os dois últimos relatórios anuais da Volkswagen. Contas feitas, dois anos de remuneração representam mais de 31 milhões de euros para aquele que tem sido o presidente executivo mais bem pago da Alemanha.

Tudo somado ascende a 59,5 milhões de euros.

O relatório anual diz ainda que os membros do Conselho de Administração que saem antecipadamente da companhia sem serem culpados têm direito ao uso de um carro da empresa. Perde o direito à indemnização o executivo que sair da empresa por uma razão pela qual é responsável.

O board da Volkswagen disse na quarta-feira, em comunicado, que Winterkorn “não tinha conhecimento da manipulação dos dados das emissões”.

“A Volkswagen precisa de um novo começo”, disse Winterkorn, que estava na empresa desde 2007.

O maior fabricante do mundo de automóveis em vendas no primeiro semestre deste ano enfrenta um emaranhado cada vez maior de ameaças legais depois de ter admitido que 11 milhões de seus carros a diesel em todo o mundo estão equipados com um software capaz de enganar os testes oficiais de poluição.

A Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos acusou na sexta-feira passada a empresa de falsear o desempenho dos motores em termos de emissões de gases poluentes através de um 'software' incorporado no veículo, incorrendo numa multa que pode ir até aos 18 mil milhões de dólares (cerca de 15,9 mil milhões de euros).