O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, disse esta quinta-feira que o «episódio da semana passada» em torno de um eventual corte permanente de pensões está «esclarecido» e «encerrado».

«O episódio da semana passada está esclarecido, está encerrado do meu ponto de vista», disse o governante no final do encontro de hoje do Conselho de Ministros, quando questionado sobre a sua posição na semana passada em que abordou a atuação dos jornalistas após um encontro sobre a matéria no Ministério das Finanças.

Na semana passada, num encontro informal com jornalistas, fonte oficial do Ministério das Finanças disse que o Governo está a avaliar a possibilidade de aplicar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) de forma permanente, ajustando o valor das pensões a critérios demográficos e económicos, devendo o impacto da medida ser quantificado no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) em abril.

«Se os jornalistas entenderam transformar uma conversa em 'off' sobre um ponto de situação num dado adquirido, eu não chamaria a isso fuga de informação, chamaria, quando muito, manipulação de informação», afirmou na quinta-feira Marques Guedes, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, e em que também disse que as notícias geram «alarmismo injustificado».

Numa nota divulgada na semana passada e intitulada «Sigilo sobre a fonte e não sobre o assunto», os diretores do Diário Económico, Público, DN, JN, Correio da Manhã, Dinheiro Vivo e da agência Lusa afirmam ter cumprido «todas as regras da profissão, bem como o acordo feito, em coletivo e na presença de todos, com o membro do Governo que convidou os jornalistas» para um encontro, na quarta-feira, no Ministério das Finanças, e que resultou na notícia de estar a ser ponderado um corte permanente de pensões.

Hoje, Marques Guedes não se referiu ao tratamento jornalístico da matéria, tendo antes focado as suas palavras no facto de não haver ainda uma decisão do executivo sobre o futuro das pensões.

«Os portugueses já perceberam que de facto se tratou de uma matéria que não merece nesta fase nenhum comentário por não haver qualquer tipo de decisão do Governo sobre esse assunto», declarou o ministro.