Sabine Lautenschläger, da direção do Banco Central Europeu (BCE), afirmou esta quarta-feira que houve interpretações «parciais» do discurso de Mario Draghi em Jackson Hole e considerou que as reformas estruturais são o mais importante para a saída da crise.

«Para mim, a ideia principal é que as reformas estruturais são o instrumento mais importante para resolver os problemas atuais. Sem essas reformas, nada será conseguido a médio e longo prazo nos países com falta de competitividade», afirmou Lautenschläger, questionada num colóquio em Frankfurt sobre as recentes declarações do presidente do BCE, Mario Draghi, citada pela Lusa.

Em Jackson Hole, nos Estados Unidos, o presidente do BCE afirmou-se pronto a «mais ajustamentos» na política monetária da zona euro e defendeu maior apoio ao crescimento europeu através de políticas orçamentais, o que foi interpretado como um convite aos Estados para abandonarem as políticas de rigor orçamental, tendo em vista estimular o consumo.

«Foi uma interpretação muito parcial» desse discurso, referiu Lautenschläger, antiga vice-presidente do Bundesbank, o banco central alemão.

Recorda a Lusa que, há dias, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, também disse que as declarações de Draghi foram «mal interpretadas».

Questionada sobre a mutualização da dívida dos países europeus através de eurobonds, Lautenschläger disse que «o BCE não se opõe em princípio», mas defendeu que devem ser criadas condições para que cada Estado «continue a sentir a pressão em relação à continuação das reformas».