O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, considerou esta quarta-feira injusto criticar o BCE como principal autor da política de austeridade na Europa, depois dos confrontos entre a polícia e manifestantes junto da nova sede da instituição.

«Enquanto instituição europeia que teve um papel central durante a crise, o BCE tornou-se o foco das críticas para os que estão frustrados com a situação», disse Draghi na cerimónia de inauguração da nova sede, na parte leste de Frankfurt, que custou 1,3 mil milhões de euros.

«Essa não é uma acusação justa, a nossa ação tem visado precisamente amortecer os choques sofridos pela economia. Mas como banco central de toda a zona euro, devemos ouvir com muita atenção o que todos os nossos cidadãos dizem», acrescentou, citado por agências internacionais.


O italiano, que dirige o BCE desde 2011, falava horas depois de confrontos entre manifestantes anti austeridade e a polícia que se saldaram em dezenas de feridos e centenas de detidos.

Dirigindo-se a cerca de 100 convidados, Draghi admitiu que «as pessoas atravessam tempos muito difíceis» e referiu estudos que mostram que o sentimento da maioria dos europeus é de que a sua vida piorou depois da crise.

«Há alguns, como os muitos manifestantes lá fora, que pensam que o problema é que a Europa fez muito pouco. Querem uma Europa mais integrada, com mais solidariedade entre nações. E outros, como os partidos populistas que vimos aparecer em toda a Europa, que pensam que a Europa fez demasiado. Querem renacionalizar as economias e reivindicar a soberania económica», afirmou.

«Eu compreendo o que motiva estas opiniões e porque as pessoas querem ver mudanças. Mas, na verdade, nenhuma delas oferece uma verdadeira solução para a situação», disse.

Draghi prosseguiu sublinhando a importância da solidariedade na integração europeia, mas acrescentou que «a zona euro não é uma união política do tipo em que alguns países devem pagar permanentemente pelos outros».


O presidentye do BCE voltou também a apelar aos membros da zona euro que continuem com as reformas estruturais para aumentarem a sua competitividade.

Os confrontos desta manhã antecederam um protesto convocado para o princípio da tarde no centro de Frankfurt, no qual deverão participar cerca de 10.000 manifestantes. Um comboio especial deverá levar cerca de 800 ativistas de Berlim para Frankfurt e 60 autocarros foram alugados para transportar manifestantes de 39 cidades europeias para a capital financeira da Alemanha.