O presidente do BCE, Mario Draghi, defendeu hoje a atuação de Vítor Constâncio no caso BPN e, em resposta a Nuno Melo, diz que mais esclarecimentos podem ser encontrados no relatório da comissão de inquérito parlamentar.

O Banco Central Europeu (BCE) publicou hoje no seu portal na Internet a carta de Draghi em resposta ao eurodeputado do CDS/PP Nuno Melo, depois de este ter voltado a questionar a atuação de Constâncio, após, em entrevista ao Expresso, Durão Barroso ter dito, sem ser questionado, que enquanto foi primeiro-ministro (entre 2002 e 2004) chamou por três vezes o então governador do Banco de Portugal a São Bento para «saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade».

Segundo Draghi, Vítor Constâncio já deu as explicações numa conferência de imprensa no início de abril, após ter sido divulgada a entrevista ao atual presidente da Comissão Europeia.

«Nesta ocasião, ele explicou que não havia nova informação a ser acrescentada a partir da entrevista dada pelo Sr. Barroso ao jornal Expresso que não tenha sido tornada pública, nomeadamente no contexto do inquérito parlamentar sobre o BPN, que foi concluído em 2009¿» afirma Draghi na missiva.

Draghi diz, em específico, que Constâncio esclareceu que o Banco de Portugal realizou várias inspeções ao BPN (Banco Português de Negócios) e que impôs medidas concretas, tais como aumentos de capital além dos requisitos mínimos e provisões adicionais.

O presidente do BCE referiu ainda que Constâncio também confirmou que as preocupações sobre o BPN foram «partilhadas em conversas com o Governo Português, no contexto das discussões sobre a situação geral do sistema bancário, apesar de não ter havido uma reunião sobre este banco em particular».

No entanto, refere Constâncio, apenas em 2008 surgiram informações concretas sobre «comportamento fraudulento», revelado através de carta anónima que levou à descoberta de um sistema de contabilidade paralela no banco fundado por Oliveira e Costa.

Draghi termina a carta a dizer a Nuno Melo que mais informações podem ser obtidas no relatório de 2009 na comissão parlamentar de inquérito.

O BPN foi nacionalizado em novembro de 2008. Em março de 2012, foi vendido ao Banco BIC Portugal por 40 milhões de euros.