O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, elogiou Portugal no Parlamento Europeu esta segunda-feira e recusou a ideia de que a instituição esteja a exercer qualquer tipo de chantagem sobre a Grécia.

Numa audição, esta tarde, perante a comissão de assuntos económicos, em Bruxelas, Draghi afirmou que «Portugal é um dos países que se está a transformar numa das testemunhas da recuperação da zona euro».

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) fez esta declaração em resposta à eurodeputada Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, que tinha acusado a instituição de «chantagear a Grécia», ao «sufocar» o país com falta de liquidez, e questionou como é possível ouvir o Governo português dizer que tem os «cofres cheios» quando Portugal está hoje «mais pobre e com mais desigualdade».

«Deixe-me discordar de tudo o que disse», respondeu Draghi.


Sobre a Grécia, o presidente do banco central recusou que haja qualquer tipo de chantagem sobre o país, afirmando mesmo que a exposição do BCE à Grécia ascende a 104 mil milhões de euros, o equivalente a 65% do PIB grego. «Que tipo de chantagem é esta», questionou.

As autoridades gregas têm sido muito críticas da atuação do BCE, sobretudo quanto à retirada do regime de exceção que permitia que, apesar do rating de nível 'lixo' da dívida soberana grega, os bancos gregos usassem esses títulos como garantia para obter financiamento. Em alternativa, apenas poderiam financiar-se através da linha de emergência do BCE, a um preço mais elevado do que o financiamento normal.

Numa carta enviada a 15 de março pelo primeiro-ministro grego à chanceler alemã, divulgada pelo «Financial Times», Alexis Tsipras avisou Angela Merkel que «seria impossível» para Atenas assegurar o serviço da dívida nas próximas semanas se não fosse libertada a curto prazo assistência financeira ao país, e deixava precisamente críticas a atuação do BCE, como a suspensão do regime de exceção ou os limites impostos aos bancos gregos na aquisição de dívida soberana do país.

No Parlamento Europeu, Draghi disse ainda que os bancos gregos poderão voltar a ter acesso ao financiamento normal e o BCE poderá comprar dívida pública grega no âmbito do seu programa de compra de ativos assim que houver um acordo entre o Governo grego e os credores.

Quanto a Portugal, o presidente do BCE disse que, depois dos esforços dos últimos anos, o país atingiu um nível em que «consegue aproveitar totalmente os benefícios das políticas adotadas», tendo referido o restabelecer do acesso aos mercados do financiamento, o crescimento económico e a queda do desemprego que, disse mesmo o economista italiano, está a acontecer «rapidamente».

Ainda nesta audição, o responsável da instituição sediada em Frankfurt admitiu que estão a ser analisados vários cenários e riscos para a zona euro, mas realçou que essa é apenas «uma prática normal do BCE», e manifestou-se otimista sobre o futuro da economia da zona euro e da continuação da Grécia na moeda única.