O presidente do Banco Central Europeu afirmou esta terça-feira que a instituição conhece os riscos de um período demasiado longo de baixa inflação, reiterando, no entanto, que está confiante de que a meta de 2% será atingida a médio prazo.

«Conhecemos os riscos de um período demasiado longo de baixa inflação», disse Mario Draghi, no debate que encerra a conferência organizada pelo Banco Central Europeu (BCE) e que desde domingo junta vários líderes internacionais e economistas em Sintra.

O presidente do BCE respondia, assim, à posição do prémio Nobel da Economia de 2008, Paul Krugman, que defendeu esta manhã que os bancos centrais «têm de ser agressivos» na ação para evitar a «armadilha de baixa inflação», como aconteceu no Japão durante mais de uma década, e reafirmou que o BCE devia alterar a «misteriosa doutrina» dos 2% a médio prazo.

Para Krugman, os bancos centrais «estão em negação» ao acreditarem que o pleno emprego é possível com uma inflação de 2%, defendendo que essa taxa «tem de ser maior», uma vez que se funcionou no passado já não funciona.

«Se for como sugere Paul Krugman, estava a pensar no que é que ia significar para a Alemanha ter uma taxa de inflação de 5%. Não estou a ver isso [acontecer]», disse Mario Draghi.

O presidente do BCE disse ainda, quanto aos riscos apontados de manhã por Krugman, que «não vê que os efeitos da deflação, como o típico comportamento que a caracteriza, de adiar o consumo», esteja a acontecer.

Por outro lado, o responsável italiano reafirmou «estar confiante» de que o BCE vai acalçar a meta de 2% de inflação no médio prazo, ainda que, por agora, esteja abaixo dessa meta. Segundo os dados do Eurostat, a inflação na zona euro fixou-se nos 0,7% em abril.

Já na segunda-feira, Draghi tinha dito na conferência em Sintra que admitia que a «baixa inflação seja prolongada, mas que volte gradualmente aos 2%» e garantido que a instituição está «particularmente atenta» à possibilidade de uma «espiral negativa» entre uma inflação baixa e as expectativas decrescentes da inflação e do crédito, «em particular nos países sob stress».

«Há um risco de as expectativas desinflacionistas se materializarem. Isto pode levar as famílias e as empresas a adiarem a despesa num ciclo clássico de deflação», alertou Mario Draghi, que disse ainda que «as restrições de crédito estão a pôr um travão na recuperação dos países sob stress, o que acrescenta pressões desinflacionistas».