O presidente do Banco Central Europeu apelou, esta quinta-feira, a que os diferentes Governos da zona euro continuem a levar a cabo reformas estruturais. Atrasar essas medidas significaria um preço alto a pagar no futuro. Portugal é, a esse nível, um exemplo a seguir pelos restantes países.

"Há muitas razões políticas para atrasar as reformas estruturais, mas poucas razões económicas para o fazer. O custo de as atrasar é demasiado elevado"

 

"A experiência durante a crise demonstrou como essas reformas podem funcionar. As reformas implementadas por Portugal no âmbito do seu programa de ajustamento estima-se que tenham reduzido a taxa de desemprego em cerca de 3 pontos percentuais em relação ao período de 2011-2014"

Também o caso espanhol foi citado, nomeadamente a reforma do mercado de trabalho encetada em 2012, "um fator de apoio crescimento do emprego desde então". Para Draghi, estes dois casos devem servir de "incentivo" aos restantes países para que prossigam os seus esforços - e "em particular" aqueles em que o desemprego continua muito alto há muito tempo.  

Apesar de "muitas reformas estruturais" terem vindo a ser implementadas nos últimos anos, especialmente nos países mais atingidos pela crise, com "benefícios" a olhos vistos, o homem-forte do BCE diz que é preciso "fazer muito mais". 

Não é de mais lembrar aquilo que Mario Draghi disse a propósito de Portugal, quando esteve no país em abril para participar no conselho de Estado.

O líder do BCE mostrou-se contra o Governo de António Costa estar a reverter reformas que vinham trilhando o seu caminho desde o anterior Executivo de Passos Coelho. "Não se justifica anular as reformas anteriores" foram as suas palavras na altura.

Hoje, Draghi falava no Fórum Económico de Bruxelas, que decorre na capital belga. Ele que tem dito que o BCE não pode fazer tudo sozinho para contribuir para a retoma da economia.

Dada a interação que existe entre as diferentes políticas económicas, "é do interesse de todos que as diferentes formas de política se apoiem umas às outras, nem que seja porque isso reduziria o tempo para as reformas produzirem os seus efeitos", defende.