O coordenador do cenário macroeconómico do PS, Mário Centeno, defendeu na quarta-feira à noite a necessidade de uma "recomposição global" da carga fiscal em Portugal e vincou que as medidas propostas permitem uma aplicação gradual e avaliação permanente.

Mário Centeno, doutorado em Harvard e quadro superior do Banco de Portugal, assumiu estas posições num colóquio promovido pelo PS sobre o seu projeto para a Segurança Social.

Um debate que decorreu no Fórum Lisboa com a presença do secretário-geral socialista, António Costa, e que foi moderado pelo líder da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS, Marcos Perestrello, que desafiou o PSD a organizar idêntica iniciativa sobre o futuro do sistema de pensões com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.

Confrontado com críticas de militantes socialistas à descida da Taxa Social Única (TSU), sobretudo para as empresas, e com as reservas colocadas por outros sobre possíveis défices no sistema de pensões a prazo, em consequência da descida das contribuições nos próximos anos, Mário Centeno contrapôs que "um futuro Governo fará sempre avaliação das medidas".

"A avaliação é um aspeto crucial. Mas penso ser necessário promover uma recomposição global da carga fiscal em Portugal. Não só o IRC tem uma concentração da coleta muito maior num grupo restrito de empresas, como também é pago com grande incidência em setores com níveis de emprego reduzidos", apontou.


Como tal, na perspetiva de Mário Centeno, o PS procura agora "diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social, diminuindo a carga fiscal sobre os setores mais intensivos em termos de mão-de-obra".

"Um dos bloqueios existentes para o crescimento da economia portuguesa tem precisamente a ver com a dificuldade de contratações de novos trabalhadores por parte das empresas", sustentou.


Manuel Salgado, vereador da Câmara de Lisboa, criticou depois o processo de alargamento do financiamento à aquisição de habitação em Portugal registado nas últimas décadas, começando pelas "cooperativas, passando para as autarquias e, finalmente, para as pessoas diretamente, altura em que se perdeu completamente o controlo".

"É altura de se voltar a financiar a pedra", disse.


O vice-presidente da bancada socialista Vieira da Silva defendeu a descida da TSU dos trabalhadores, tal como está previsto no cenário macroeconómico do PS, alegando que, ao contrário do que se diz, não vai penalizar as pensões do futuro".

"Vai antes defender a formação das pensões do futuro. Uma queda de cinco por cento nos salários reduz a pensão futura em seis por cento", apontou, advogando a tese de que a sustentabilidade da Segurança Social passa pela defesa dos valores médios salariais e pela criação de novos postos de trabalho.