Mário Centeno diz que a atuação do Banco de Portugal se tem caracterizado pela inação e que o sistema financeiro português ainda não está em condições de desempenhar as suas funções de forma mais eficaz. Palavras proferidas na tomada de posse dos administradores do Banco de Portugal, Elisa Ferreira e Máximo dos Santos.

O ministro das Finanças repetiu a necessidade de se repensar a arquitetura do sistema de regulação financeiro, referindo que é preciso fazer "os melhoramentos necessários para que dê uma resposta cabal aos desafios que a sociedade e a economia portuguesa lhe colocam".

"Esse sistema deve ser visto como parte da solução e não do problema", reiterou, criticando ainda a "inação" dos últimos anos que "trouxe dificuldades ao setor financeiro".

Na presença de Carlos Costa, Centeno deixou ainda claro o que espera da entidade de supervisão, ao referir os vários papéis que cabem ao Banco de Portugal, com destaque para as funções de supervisor e regulador bancário, sublinhando que é necessário que essa supervisão "seja preventiva, proativa e atuante".

Mas Centeno não foi por aqui nos recados e disse que "o Banco de Portugal desempenha o papel de autoridade monetária e goza de um estatuto de independência. Esta independência constitui um direito, mas esse direito tem de ser exercido como dever, os bancos centrais não se podem tornar entidades isoladas do resto da comunidade".

A ideia de que a entidade liderada por Carlos Costa não se pode isolar acabou por ser repetida no final da intervenção, recuperando o nome do livro de José Saramago: "Não há instituições que se possam interpretar a si próprias como jangadas de pedra", afirmou o governante.

Quanto aos novos administradores do Banco de Portugal, Elisa Ferreira e Máximo dos Santos, Centeno referiu a sua "elevada qualidade técnica e humana" e deixou a sua confiança de que irão "continuar e até acelerar o processo ajustamento já iniciado e não totalmente finalizado no Banco de Portugal".

Com doutoramento na área de economia, Elisa Ferreira é professora na Universidade do Porto, foi ministra do Ambiente e do Planeamento entre 1995 e 2002 e é desde 2004 eurodeputada, tendo trabalhado nos últimos anos temas como a União Bancária e o mecanismo de resolução bancária.

Já Luís Máximo dos Santos é advogado, tendo trabalhado como jurista em várias funções do Estado, nomeadamente no Banco de Portugal. Além de estar de momento a liderar o ‘banco mau' BES, é desde 2010 presidente da Comissão Liquidatária do Banco Privado Português (BPP).