Não, não e não. O ministro das Finanças volta a dizer que não mentiu na comissão de inquérito ao Banif. Na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros desta quinta-feira, onde foi aprovado o Programa de Estabilidade, Mário Centeno voltou a repetir o que já tinha dito e atacou a oposição, nomeadamente o PSD, que apelou à invesitgação do Ministério Público a este caso do alegado depoimento falso do ministro.

"Não incorri em nenhuma falsidade e compreendo que a oposição tenha de fazer o seu trabalho. Mas não compreendo que a oposição faça o seu trabalho nesses moldes"

Na terça-feira, Centeno já tinha reiterado "todas as afirmações" que já prestou à comissão de inquérito ao Banif, falando numa "insinuação" do PSD em seu torno assente em "leituras parciais e enviesadas de documentos".

Um dia depois, quarta-feira, no arranque dos trabalhos da comissão de inquérito ao Banif, o deputado do PSD Luís Marques Guedes considerou que o Ministério Público deve investigar se o ministro das Finanças prestou um falso depoimento na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, destacando que tal configura um crime público.

"O Ministério Público terá que apurar o depoimento falso. [Tem] poderes de autoridade judiciária. Prestar falsas declarações na comissão parlamentar de inquérito é crime público".

O deputado do PSD referiu para as alegadas "contradições" entre as duas audições do ministro das Finanças nesta comissão, no que toca aos esforços que o governante terá desenvolvido junto da Comissão Europeia relativamente à venda do Banif ao Santander Totta no âmbito do processo de resolução.

Na mesma comissão de inquérito, Filipe Neto Brandão, deputado do PS, pediu a palavra para "repudiar veementemente a acusação de que o ministro das Finanças fez um depoimento falso", criticando as afirmações de Marques Guedes.