O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou hoje que o Governo vai "fazer todo o possível, dentro daquilo que é a execução orçamental, para que o país saia do procedimento de défice excessivos", sem adiantar medidas a adotar até final do ano.

Mário Centeno, que falava aos jornalistas à margem da convenção regional da FAUL (Federação da Área Urbana de Lisboa do Partido Socialista), em Rio de Mouro, disse, sem nunca referir Passos Coelho, que o cumprimento do défice do país abaixo dos 3% do Produto Interno Bruto "foi sempre aquilo que o PS sempre prometeu na campanha eleitoral".

O líder do PSD, Passos Coelho, afirmou na sexta-feira na Guarda que "tudo se encaminha" para que o défice nacional possa ficar "abaixo dos 3%".

Com estas declarações, o ex-primeiro-ministro veio contrariar a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que estimou na quinta-feira que o défice das administrações públicas, em contas nacionais, tenha ficado nos 3,7% entre janeiro e setembro deste ano, um valor acima da meta do anterior Governo para a totalidade do ano.

"No que respeita à despesa, tudo se encaminha para que nós possamos ter um défice abaixo de 3%", afirmou o ex-primeiro ministro, explicando que, para tal objetivo, "basta manter o nível de esforço de despesa e ter o mesmo padrão de receita que até outubro foi observado, para que um défice inferior a 3% seja alcançado".

O ex-primeiro-ministro lembrou também as palavras que disse ao novo primeiro-ministro, António Costa, quando lhe passou a "pasta": "Se quiser ter um défice abaixo de 3% isso está ao seu alcance, mas para o poder alcançar o senhor tem de se empenhar nisso".

Antes, perante uma plateia de socialistas da área urbana de Lisboa, o ministro das Finanças afirmou que o Governo vai apresentar na legislatura "contas públicas sustentáveis" que passam por "reduzir o peso da dívida no Produto Interno Bruto (PIB)".

Mário Centeno adiantou que o novo Governo liderado por António Costa vai "garantir um sistema financeiro estável" sem, no entanto, se referir diretamente aos temas mais polémicos da banca portuguesa como são o Novo Banco e o Banif.