O ministro das Finanças português, Mário Centeno, voltou a deixar em aberto a possibilidade de suceder a Jeroen Dijsselbloem na presidência do Eurogrupo. Desta vez, esse cenário foi admitido durante uma entrevista ao El País, publicada esta quarta-feira.

Questionado diretamente pelo jornal espanhol se seria candidato à presidência do Eurogrupo, Centeno respondeu:

“Não vou dizer que não, se há uma possibilidade”.

Foi em abril que se soube que o ministro tinha sido sondado para suceder ao governante holandês, que está de saída da presidência do Eurogrupo.

Depressa o assunto deu muito que falar, mas António Costa procurou afastar a ideia e, numa entrevista à Renascença, disse que uma candidatura de Centeno não estava nas prioridades do Governo. O primeiro-ministro destacou que era útil o ministro manter margem de atuação política na Europa, algo que deixaria de acontecer se assumisse a presidência do Eurogrupo.

O caso parecia encerrado só que, mais de um mês depois, Centeno admitiu que não excluía essa hipótese, numa entrevista ao canal norte-americano CNBC.

Agora, em plenas férias parlamentares, as palavras do governante português ao El País voltam a reacender a polémica.

Nesta entrevista, dada em Santander, onde o ministro participou numa conferência da Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em julho, Centeno frisou que uma das lições retiradas da aliança parlamentar à esquerda é que as "reformas precisam de tempo" e de políticas de estímulo ao consumo para funcionar. O ministro sublinha que "essa não é a receita de Bruxelas", mas tem de ser a receita da esquerda na Europa.