As possíveis sanções a Portugal relativas ao défice de 2015 não entraram na agenda do Eurogrupo desta quinta-feira, segundo o ministro das Finanças que, antes, esteve reunido com o comissário europeu para os Assuntos Económicos. À saída do Eurogrupo, em vez de mostrar preocupação sobre essa ameaça, Mário Centeno preferiu realçar a execução orçamental deste ano. E o próprio comissário Pierre Moscovici abriu pela primeira vez a porta a salvar Portugal daquela punição.

"As sanções não foram tema de conversa. Estivemos focados naquilo que são os dados, e é isso sobre o qual eu tenho que responder, quer perante a Comissão, quer, em Portugal, perante os portugueses (...) E não estão na agenda do Ecofin de amanhã. Se for esse o caso, farei a apresentação e a defesa daquilo que é a execução orçamental em Portugal", disse o ministro.

É disso que o Governo quer fazer-se valer junto da Comissão Europeia, alegando Mário Centeno que Portugal "está no bom caminho". "É essa a direção que o Governo sempre quis, temos compromissos internos e externos para cumprir", disse aos jornalistas, enfatizando que a execução orçamental "está totalmente em linha" com o previsto.

"Os objetivos são exigentes, mas os dados orçamentais que temos disponíveis mostram que este ano é o ano da melhor execução orçamentasl da ultima década e meia"

Até abril (os últimos dados conhecidos), o défice agravou-se 56 milhões, numa subida para 1,634 mil milhões de euros face aos primeiros quatro meses do ano passado. 

Ainda quanto à ameaça de sanções, mais a dizer teve o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, que disse que Bruxelas está à procura de um "equilíbrio": "As nossas decisões devem ser tomadas de forma extremamente rigorosa e credível mas não devem em caso algum comprometer a retoma económica". É esta declaração que pode ser interpretada como uma luz ao fundo do túnel para Portugal escapar às penalizações.

Centeno pede que CGD esteja fora da luta partidária

O governante voltou a ser questionado sobre em que fase está o processo de capitalização da Caixa Geral de Depósitos. E nada adiantou, a não ser o apelo que fez aos partidos políticos em Portugal, depois de ontem o PSD ter anunciado que vai impor uma comissão de inquérito parlamentar sobre esse dossiê. 

"Estamos num processo que tem várias fases na preparação da tomadas de posse do novo conselho de administração, das alterações de governação, plano de negócios e, finalmente, da capitalização", começou por dizer. 

"É um processo, como eu referi ontem, que interessa a todo o país, e deve ser mantido fora da luta partidária. que não façamos de situações que são muito importantes para o sucesso da economia portuguesa aquio que temos estado a observar"

São questões que estão a ser discutidas com a Comissão Europeia, num "processo bastante transversal", que vai desde a área da concorrência à supervisão. Centeno garante que o Governo "está a lidar da forma mais institucuional" com o tema. "Todos os partidos informados das decisões tomadas até agora, quer sobre o nome para liderar a CGD, quer sobre estatuto do gestor público".