O ministro das Finanças português, Mário Centeno, parte como favorito na corrida à liderança do Eurogrupo, cuja eleição decorre esta segunda-feira, em Bruxelas, a partir das 13:00 locais (12:00 em Lisboa). A candidatura à presidência foi apresentada na última quinta-feira, em cima do prazo limite. Há ainda mais três candidatos à sucessão do holandês Jeroen Dijsselbloem: o eslovaco Peter Kazimir, a letã Dana Reizniece-Ozola e o luxemburguês Pierre Gramegna.

4 EU #Finance ministers, candidates for #Eurogroup presidency: 🇵🇹#Portugal Mario Centeno, 🇸🇰#Slovakia @KazimirPeter, 🇱🇺#Luxembourg @PierreGramegna & 🇱🇻 #Latvia @DanaReiznieceOz: https://t.co/q5iWvaKFVX
Final decision on 4/12!

— EU Council Press (@EUCouncilPress) 30 de novembro de 2017

Se for eleito, Mário Centeno não deixa de ser ministro das Finanças. Os dois cargos são acumuláveis, sendo que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já lhe pediu para não se esquecer que a pasta que detém em Portugal é "mais importante" e que é preciso "manter o caminho das finanças portuguesas". 

Como decorre a eleição

A eleição não corre o risco de ser decidida por sorteio mesmo que persista um empate, como aconteceu com a relocalização das duas agências que deixam o Reino Unido: a Agência Europeia do Medicamento (EMA) e a da Autoridade Bancária Europeia, que vão para Amsterdão e para Paris, respetivamente.

O processo de eleição prevê a realização de quantas voltas forem necessárias até um dos quatro candidatos alcançar uma maioria simples (ou seja, pelo menos 10 votos entre os 19 membros da área do euro).

De nenhum dos candidatos recolher pelo menos 10 dos 19 votos dos membros do Eurogrupo no final da primeira volta da votação, cada candidato será informado individualmente do número de votos que ele/ela recebeu. Os candidatos terão então a oportunidade de retirar a sua candidatura. A votação prosseguirá até ser alcançada a maioria simples em torno de uma das candidaturas", explicam os serviços do Conselho da UE.

Os concorrentes de Centeno

Dana Reizniece-Ozola, Peter Kazimir e Pierre Gramegna

Kazimir, que tal como Centeno pertence à família política dos Socialistas Europeus, adiantou que o seu objetivo é “construir pontes”. Dana Ozola (Verdes) e Gramegna (Liberais) anunciaram formalmente.

Mário Centeno diz que pretende dar "um contributo construtivo", mesmo que "crítico às vezes" para "encontrar caminhos alternativos".

Com 50 anos e natural de Olhão, Algarve, o ministro das Finanças assumiu a pasta a 26 de novembro de 2015 e é apontado pela generalidade da imprensa internacional como o grande favorito ao cargo.

Foi “eleito” entre os grandes candidatos dos Socialistas Europeus, a família política com mais possibilidades de garantir (neste caso, manter) o posto até agora ocupado pelo holandês Jeroen Dijsselbloem (na foto de capa deste artigo, em cima).

Kazimir também pertence à família socialista, mas é conhecido por assumir posições mais próximas da chamada “linha dura”, como aconteceu durante a última crise grega, quando a Eslováquia era dos aliados mais próximos do então ministro alemão Wolfgang Schäuble. Segundo vários analistas, terá poucas possibilidades.

O Financial Times adianta que a decisão sobre qual o candidato a reunir o maior consenso entre os socialistas foi tomada à margem da cimeira UE-África que decorre até hoje em Abidjan, em encontros entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, com os primeiros-ministros de Portugal, António Costa, e de Itália, Paolo Gentiloni, para decidir quem deveria avançar entre Centeno e o ministro italiano Pier Carlo Padoan, tendo a escolha recaído no ministro português.

Seja quem for eleito novo presidente do Eurogrupo, tem já data certa para iniciar funções: já em janeiro de 2018.