Os aumentos na função pública têm sido um dos principais temas de discussão para o Orçamento de Estado para 2019 e, em entrevista à TSF, Mário Centeno não fugiu ao tema: "Nunca me ouviu dizer a palavra nunca e também não vai ser agora".

Esta segunda-feira, António Costa tinha falado do tema, mas apenas para dizer que este não é o melhor momento para falar disso. Já o ministro das Finanças abordou a situação e explicou que dependerá do Programa de Estabilidade a ser executado.

Nós anunciámos que iríamos fazer e começar um programa de recrutamento na administração pública. É um caminho que está a ser feito, vai continuar a ser feito, e os equilíbrios que forem encontrados no âmbito do orçamento de 2019 ditarão qual é o seu desenho final. Neste momento, o programa de estabilidade tem uma trajetória e um âmbito mais longo no tempo. Estabelecem metas que não são novas, e não só não são novas, como aliás, forem revistas em baixa as exigências, por exemplo ao nível do saldo primário, ao longo de todo o horizonte do programa da estabilidade"

E sobre o Programa de Estabilidade, Centeno deixa uma nota importante: 

No ano passado nós estávamos a discutir o programa de estabilidade, quando as taxas de juro que Portugal pagava ano mercado da dívida a dez anos eram de 4,3%. Hoje são 1,6%."

O ministro das Finanças refere que a despesa do pessoal irá aumentar com a inflação devido aos compromissos que o Governo já assumiu para 2019 e salienta que já está a ocorrer o descongelamento de carreiras e que seguirá em 2019, algo que aumentará os trabalhadores da função pública:

O Orçamento de Estado para 2019 posso-lhes garantir que o descongelamento das carreiras vai prosseguir, e isso é visível no quadro que foi incluído no Programa de Estabilidade, e isso significa quase 400 milhões de euros de aumento das despesas com o pessoal e, portanto, os funcionários públicos vão ter um aumento no ano que vem, isso é garantido.

Nesta entrevista, Centeno voltou a falar do Novo Banco e teme que as ajudas "não terminem" em 2018. O ministro explica que o banco teve, na altura da criação, um comprador que injetou mil milhões e caso isso não tivesse acontecido, tudo teria recaído sobre o Estado. Agora, com este "empréstimo" do Estado após os números negativos, está mais perto da estabilização.

A verdade é que estamos muito mais próximos de uma completa estabilização. Eu não seria tão corajoso para fazer a previsão de que isso terminasse já em 2018, mas estou em querer que até pela natureza do próprio mecanismo contingente do Novo Banco e a melhoria de resultados que todos esperamos venham a ser partilhados na banca por todos os bancos.

Sobre as "imparidades" no Novo Banco, Centeno não quer comentar já porque o Governo ainda não recebeu o relatório e relembra logo os problemas após ter sido criado: "O que sabemos, porque dissemos várias vezes, é que na verdade o Novo Banco era novo mas não era bom. E um banco quando não é bom, mesmo sendo novo, traz arrastadas várias dificuldades que na banca europeia se foram vivendo ao longo dos últimos anos."