O ministro das Finanças português, Mário Centeno, disse em Nova Iorque, esta terça-feira, num encontro com investidores que o "espaço para a Europa crescer é muito grande".

Ainda temos muitos assuntos que precisam ser discutidos e resolvidos, mas o espaço para a Europa crescer é muito grande", disse Mário Centeno.

O responsável participa nos Pan European Days, uma iniciativa da bolsa portuguesa que promove encontros entre investidores e empresas do PSI20 (principal índice da Bolsa de Lisboa) em Nova Iorque e Boston, além de um conjunto de palestras.

Falando sobre o meio milhão de pessoas que abandonou o país durante a crise, o ministro lembrou que "historicamente todos os surtos de emigração são seguidos por uma procura no mercado de trabalho."

"A procura chegará", disse.

O responsável lembrou ainda a vantagem da União Europeia sobre os EUA como um espaço diversificado, o que permite diminuir os riscos para os investidores, e deu como exemplo o mercado de trabalho.

Na Europa, somos muito mais móveis em termos de trabalho do que nos EUA. (...) Os salários em Mississípi são dois terços do que são em Boston. Os salários em Lisboa são um terço do que são em Paris", disse.

No mesmo painel, dedicado ao tema do investimento na Europa, participou ainda o diretor do Banco de Investimento Europeu, Thomas C. Barrett, e o ministro das Finanças belga, Johan Van Overtveldt.

A discussão chegou ao tema dos acordos de comércio internacionais, que têm sido cada vez mais questionados na Europa e nos Estados Unidos.

É o maior erro que podemos fazer neste momento [adotar uma política protecionista]. Fechar fronteiras só terá um efeito: reduzir os rendimentos nos dois lados da fronteira", disse Centeno.

Num segundo momento do painel participou também José Maria Ricciardi, presidente executivo do banco Haitong, que adquiriu o BES Investimento no ano passado.

Questionado pelo moderador como o Governo português veria a entrada de capital chinês num grande e saudável banco português, Mário Centeno garantiu que não haveria qualquer problema.

[Investimento estrangeiro] é muito importante para nós. Numa perspetiva de mercado, não vejo qualquer problema com isso", disse o ministro.

A tarde de hoje e quarta-feira serão inteiramente dedicados a reuniões entre empresas e investidores. O mesmo acontece na quinta-feira, mas já em Boston.

As empresas portuguesas presentes são a Altri, BPI, CTT, EDP, Galp Energia, Jerónimo Martins, Millennium BCP, Mota Engil, Nos, REN, Sonae e The Navigator Group.