O ministro das Finanças, Mário Centeno, foi diretamente à fonte de muitos investidores no que toca a informarem-se sobre os mercados financeiros, o canal de notícias CNBC, para garantir que o Governo está a dar todos os passos necessários para evitar um segundo resgate. Essa foi a pergunta da entrevistadora, mas o governante não utilizou na resposta a palavra resgate.

Estamos a fazer uma série de esforços para estabilizar o sistema financeiro o que é crucial para o investimento e para a economia crescer"

Centeno quis destacar o programa de reformas em curso que, notou, aumentará as qualificações e competências dos portugueses. Pedindo para se olhar para a big picture, ou seja, para o quadro no seu todo quando se olha para Portugal. 

O mix de política levada a cabo pelo Governo centra-se, segundo disse, no crescimento e exportações. Embora reconheça que a expansão da economia foi "ainda baixa" no segundo trimestre (crescimento de 0,3%), assinalou na entrevista o "sinal forte" das exportações, "com um crescimento de 1,3% de trimestre em trimestre".

No entanto, segundo o INE, no segundo trimestre, as exportações de bens decresceram 1,9% e as importações de bens diminuíram 3,7%.

Sobre o porquê pessoas se mostrarem preocupadas como compromisso do Governo com as reformas e com a direção política que foi tomada, Mário Centeno diz que é só "percepção e uma percepção errada", pelo facto de "o foco ser recuperação do rendimento e impostos mais baixos". "Eu poria o meu ênfase nas reformas que vão potenciar o crescimento".

Em dois minutos, o ministro das Finanças quis convencer os investidores de que o caminho escolhido está certo e a dar frutos, numa semana importante para a posição de Portugal perante os mercados: há nova emissão de dívida na quarta-feira, na qual o Estado pretende obter um empréstimo para pagar só daqui a 20 anos, e ainda, na sexta-feira, a avaliação do rating por parte da Standard & Poor's, que ainda considera a dívida portuguesa como lixo.