O ministro das Finanças deixou esta segunda-feira, pela primeira vez, o sinal de que o Governo poderá ser obrigado a rever as previsões para o crescimento da economia portuguesa, uma vez que a incerteza vinda de fora, sobretudo no que toca às exportações, pode ter maior impacto nas contas.

"Portugal enfrenta algumas dimensões... cíclicas adversas, desde logo um entorno económico que se pauta nos últimos meses por revisões em baixa das projecções económicas dos maiores parceiros comerciais”

O Presidente da República já tinha advertido o Governo para esta questão, na conferência sobre a banca organizada pela TVI24 e pela Associação Portuguesa de Bancos, há duas semanas.

Mário Centeno enfatiza agora que o país enfrenta um “momento particularmente difícil” para projetar cenários macroeconómico e destaca a “incerteza que paira na economia mundial”.

Numa conferência da UGT sobre o tema, elencou essas adversidades, que passam também pela “gravíssima crise dos mercados mais dinâmicos para as exportações portuguesas”, bem como pelo “fenómeno de redução da força de trabalho”

“Tudo isto confere um grau de incerteza no crescimento português”

Centeno abre, nas entrelinhas, a porta para uma possível revisão de metas, mas continua a falar num crescimento de 1,8% este ano e o mesmo ritmo em 2017.

Portugal atravessa um “momento decisivo”, nas palavras do ministro: “Do esforço do programa de ajustamento ao tempo e espaço económico que devem contribuir para o seu crescimento potencial”. Embora não concretizando, o governante referiu-se às “restrições” que o país enfrenta “e que não conseguiu vencer”. Elas são o “maior inimigo”.

Défice no caminho certo

Quanto ao défice, defende que a execução orçamental até abril e aquilo que o Governo já conhece de maio mostram que a trajetória está certa: “Estamos no bom caminho”. Deu o exemplo do saldo provisório das contas públicas, que atingiu até abril “mais de 35% do objetivo anual”, do crescimento da receita fiscal (impostos, principalmente indiretos) e a forma “bastante robusta” das contribuições sociais.

“A despesa pública, aquela que o Governo efetivamente controla, está bastante abaixo do que está previsto no conjunto do ano”

Esse caminho,advertiu, deve ser percorrido "com a ponderação que as referidas tensões nos colam”. Daí ter voltado a defender “rigor” na execução orçamental.

“Faremos todos os esforços para empreender as reformas necessárias para desenvolver a economia portuguesa e diminuir esses riscos”.

Exemplos? Aqui concretizou com o  Programa Nacional de Reformas e com a capitalização das empresas, para a diversificação das suas fontes de financiamento.