O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou hoje que a administração do Banif recebeu quatro propostas para a compra do banco até ao dia 18 de dezembro, uma das quais não vinculativa, e deu disso conta ao Governo.

"O plano de venda naquele instante, do Banif e dos ativos postos à venda separadamente, passava por entregas para venda voluntária até ao dia 15 de dezembro. Não chegou nenhuma. Estendemos até dia 18 e chegaram três propostas e uma não vinculativa. Essas propostas foram entregues pela administração do Banif ao Governo, e pelo Governo ao Banco de Portugal", disse Mário Centeno.


O ministro, que está a ser ouvido na Comissão do Orçamento, no âmbito da venda do Banif, disse que o atual executivo só percebeu a gravidade da situação quando tomou posse.

As dificuldades que o banco enfrentava foram "transmitidas pelo governo anterior e tentamos perceber quais as alternativas existentes", declarou.

"Atendendo à situação particular do Banif - em profundas dificuldades, com uma ajuda de Estado não autorizada, depois de oito processos de reestruturação, e depois de longas cartas, mas com pouca produtividade - era necessário agir muito rapidamente e foi o que fizemos", sublinhou Centeno.


O ministro das Finanças garantiu que, nos primeiros contactos com Bruxelas, o atual Governo dei informações sobre o processo de venda em curso, avançando "que tinha de ter uma conclusão muito acelerada, atendendo à situação específica do banco".

"O processo voluntário de venda teria de ter um preço positivo, mas nessa data era muito complicado alguém dizer se se ia concretizar, se os interesses tinham sido apresentados, eram só 'ses'", referiu o governante.


Entre as quatro propostas que chegaram à administração do Banif, a proposta não vinculativa pertencia à Apollo, afirmou Mário Centeno.

Essa proposta não vinculativa "não existe, e como com 'ses' não se vendem bancos, não foi possível um outro resultado que não aquele", explicou.

O ministro das Finanças esclareceu ainda que o Governo foi informado a 04 de dezembro pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, de que o supervisor "teve de assumir responsabilidades junto da Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia por ausência do Governo", ou seja, o impasse político que ocorreu até à tomada de posse do atual executivo terá prejudicado o processo de venda do Banif.

"O que o Governo, como entidade responsável pela estabilidade financeira do país fez, foi a preservação da estabilidade financeira", rematou Mário Centeno.