A ministra das Finanças disse hoje que o ex-secretário de Estado Pais Jorge foi «injustamente tratado» e voltou a considerar que houve manipulação no documento que o implicava na tentativa de venda de swap para disfarçar o défice.

«O senhor ex-secretário de Estado Joaquim Pais Jorge foi uma pessoa muito injustamente tratada», disse Maria Luís Albuquerque, na última audição da comissão de inquérito aos contratos swaps, que ainda decorre no Parlamento.

A ministra evitou pronunciar-se sobre a decisão do Ministério Público de arquivar a queixa que fez em agosto, segundo a qual não foram adulterados pela imprensa os documentos que implicavam Pais Jorge na tentativa de venda de contratos swap ao Governo socialista em 2005 para baixar artificialmente o défice e dívida pública.

Ainda assim, Maria Luís Albuquerque voltou a reforçar a sua opinião de que houve adulteração e mostrou na comissão de inquérito os dois documentos: o que diz ter entrado no Ministério das Finanças em 2005 e o que a comunicação social divulgou.

«Este é o documento que entrou proveniente da residência oficial do primeiro-ministro e assinado pelo seu chefe de gabinete e este é o documento exibido na comunicação social», mostrou a ministra, realçando as diferenças que encontrou.

No documento divulgado pela comunicação social desaparece a data da primeira página e é acrescentada uma página em que consta o nome do ex-secretário de Estado entre os responsáveis pela proposta de swap, explicou.

«Não me vou pronunciar sobre a decisão da Procuradoria-Geral da República, mas os senhores deputados estão aqui para fazer juízos políticos. (...) O que eu digo é para os senhores deputados fazerem um julgamento político, o que motivou alguém a passar aos jornalistas uma versão que não existia», instou.

O ex-secretário de Estado do Tesouro Pais Jorge demitiu-se do cargo em agosto depois de cerca de um mês no cargo, na sequência da polémica sobre o seu envolvimento na tentativa de venda pelo Citigroup de swaps para maquilhar as contas públicas

Inicialmente, Pais Jorge recusou responsabilidades e disse não se lembrar se esteve na apresentação da proposta. No entanto, uns dias depois viria a confirmar à SIC, por escrito, ter-se reunido com o gabinete de José Sócrates, enquanto diretor do Citigroup.