A ex-ministra Maria Luís Albuquerque "não acredita, nem deixa de acreditar" que Portugal terá "sanções zero", e sublinha que o Governo tem os instrumentos para esse resultado, mas que a resposta que deu a Bruxelas "poderia ser bastante melhorada".

"Acho que a resposta que foi dada do ponto de vista técnico, aquela que é conhecida (…), parece-nos uma argumentação que, enfim, poderia ser seguramente bastante melhorada", disse Maria Luís Albuquerque, à margem da Grande Conferência Europa, uma iniciativa do Diário de Notícias e da Vodafone, que decorreu em Lisboa.

A ex-ministra das Finanças reiterou que "já foi dito claramente por parte das instâncias europeias que a aplicação de sanções zero ou suspensão de fundos depende daquilo que são as respostas que o Executivo português dê" e da credibilidade junto das instâncias e dos parceiros europeus.

"Não acredito, nem deixo de acreditar [que Portugal será alvo de sanções zero], não estou por dentro das conversas que está a haver, acho que o Governo tem todos os instrumentos, todos os meios para garantir esse resultado. Se vai ou não consegui-lo, cabe ao Governo fazer esse trabalho", afirmou.

A Comissão Europeia teve na quarta-feira uma primeira discussão sobre o processo de sanções a Portugal e Espanha mas ainda sem "quaisquer decisões" sobre multas, e a questão da suspensão parcial de fundos só deverá ser apreciada em setembro.

Nas conclusões das alegações fundamentadas de Portugal enviadas a Bruxelas esta semana e assinadas pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, o Governo reitera que a adoção de sanções seria injusta, porque Portugal está "no caminho certo para eliminar o défice excessivo", e teria "um impacto altamente negativo" no apoio do povo português ao projeto europeu.