O adiamento da venda do Novo Banco não vai implicar "qualquer incumprimento" da meta orçamental do ano passado e não terá "quaisquer efeitos" nas metas de 2015 ou 2016. A garantia foi deixada esta terça-feira pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. A governante assegurou que o buraco de 3.900 milhões nas contas do Estado deverá ser refletido no défice, sim, mas que isso será um dado "meramente estatístico".

"Na dívida não tem qualquer impacto, no défice do ano passado quem terá de se pronunciar sobre essa matéria é o INE. O entendimento que temos das regras é de que isso será refletido no défice de 2014, mas isso é um feito meramente estatístico que não implica qualquer incumprimento da meta de 2014. Não implica quaisquer medidas nem de receita nem de despesa e nada tem que ser recompensado."


Isto porque com o processo de venda cancelado, o Estado não vai receber, pelo menos no imediato, os 3.900 milhões que foram injetados no âmbito da recapitalização do banco.

Assim, o Governo insiste na ideia de que não haverá "qualquer impacto direto para os contribuintes". 

"Não há qualquer impacto direto para os contribuintes. Ando a dizer isso há mais de um ano, não esperavam ouvir agora uma coisa diferente."


A titular da pasta das Finanças recusou falar em "derrota política", sublinhando que a venda é da competência do Banco de Portugal e que o importante é que estejam reunidas as "condições" necessárias para o processo.

"Não se trata de nenhuma vitória ou derrota para o Governo. Queremos que a venda seja feita em boas condições."


"Condições" essas que não estavam reunidas, de modo a salvaguardar a "estabilidade financeira" e o "melhor interesse do sistema financeiro", afirmou. Maria Luís Albuquerque disse que o processo será retomado logo que possível e expressou a "total confiança" do Governo no Banco de Portugal.

"Não estavam reunidas as condições para uma venda que permitisse salvaguardar as condições de estabilidade financeira e o melhor interesse do sistema financeiro. O processo será retomado quando essas condições estiverem reunidas. Temos total confiança de que Banco de Portugal vai salvaguardar o interesse maior que é a salvaguarda do valor do Novo Banco e também da estabilidade do sistema financeiro."

 
Sobre uma possível desvalorização do banco, o Executivo espera que isso não aconteça, vincando que o importante é encontrar um "acionista sólido, de referência".

A venda do Novo Banco foi cancelada esta terça-feira. De acordo com o que a TVI apurou, vai ser aberto um segundo concurso, com regras mais flexíveis. Deixa de ser obrigatória a venda a 100% e a instituição pode ser vendida a mais do que um investidor. 

Esta terça-feira de manhã soube-se da intenção do Banco de Portugal de  adiar a venda para depois das eleições. Passos Coelho reagiu a essa notícia dizendo que confia no Banco de Portugal.