"Na dívida não tem qualquer impacto, no défice do ano passado quem terá de se pronunciar sobre essa matéria é o INE. O entendimento que temos das regras é de que isso será refletido no défice de 2014, mas isso é um feito meramente estatístico que não implica qualquer incumprimento da meta de 2014. Não implica quaisquer medidas nem de receita nem de despesa e nada tem que ser recompensado."

Isto porque com o processo de venda cancelado, o Estado não vai receber, pelo menos no imediato, os 3.900 milhões que foram injetados no âmbito da recapitalização do banco.

Assim, o Governo insiste na ideia de que não haverá "qualquer impacto direto para os contribuintes". 

"Não há qualquer impacto direto para os contribuintes. Ando a dizer isso há mais de um ano, não esperavam ouvir agora uma coisa diferente."

A titular da pasta das Finanças recusou falar em "derrota política", sublinhando que a venda é da competência do Banco de Portugal e que o importante é que estejam reunidas as "condições" necessárias para o processo.

"Não se trata de nenhuma vitória ou derrota para o Governo. Queremos que a venda seja feita em boas condições."

"Condições" essas que não estavam reunidas, de modo a salvaguardar a "estabilidade financeira" e o "melhor interesse do sistema financeiro", afirmou. Maria Luís Albuquerque disse que o processo será retomado logo que possível e expressou a "total confiança" do Governo no Banco de Portugal.

"Não estavam reunidas as condições para uma venda que permitisse salvaguardar as condições de estabilidade financeira e o melhor interesse do sistema financeiro. O processo será retomado quando essas condições estiverem reunidas. Temos total confiança de que Banco de Portugal vai salvaguardar o interesse maior que é a salvaguarda do valor do Novo Banco e também da estabilidade do sistema financeiro."

Sobre uma possível desvalorização do banco, o Executivo espera que isso não aconteça, vincando que o importante é encontrar um "acionista sólido, de referência".

A venda do Novo Banco foi cancelada esta terça-feira. De acordo com o que a TVI apurou, vai ser aberto um segundo concurso, com regras mais flexíveis. Deixa de ser obrigatória a venda a 100% e a instituição pode ser vendida a mais do que um investidor. 

Esta terça-feira de manhã soube-se da intenção do Banco de Portugal de  adiar a venda para depois das eleições. Passos Coelho reagiu a essa notícia dizendo que confia no Banco de Portugal.