A ministra de Estado e das Finanças criticou esta quinta-feira a lentidão das instituições europeias na conclusão da união bancária e afirmou que a «fragmentação monetária» é «nociva» para a recuperação económica, especialmente dos países mais frágeis.

As posições de Maria Luís Albuquerque foram assumidas em Dublin, na Irlanda, enquanto participava numa conferência no congresso do Partido Popular Europeu (PPE).

Na sua intervenção, a governante considerou que os responsáveis e líderes europeus foram «ingénuos» na forma como começaram por lidar com a crise económica e financeira, defendendo que 2014 deve ser um ano de «ação» e não de «reação».

«A importância da disciplina fiscal era reconhecida, mas nunca foi verdadeiramente tida em conta, enquanto as condições financeiras se mantiveram favoráveis e a economia europeia crescia, o rigor esbateu-se, este valor só foi reconhecido verdadeiramente quando a crise das dívidas soberanas expôs as fragilidades das economias. Esta ingenuidade deste comportamento teve custos extremamente altos», afirmou Albuquerque.

Ao longo da sua intervenção, Maria Luís Albuquerque salientou, repetidamente, que o caminho da consolidação fiscal não pode ser descurado, mesmo com «sinais» de recuperação económica, e advertiu que só o tempo irá provar a solidez da resposta europeia à crise.

A responsável pela pasta das Finanças de Portugal visou depois o processo da união bancária, ainda em curso, e que suscita várias divergências em Bruxelas, nomeadamente entre o Parlamento Europeu, que defende uma reforma mais robusta, com meios próprios para resgates bancários, e o Conselho, onde vários países têm reservas em relação aos novos mecanismos de resolução e aos montantes a aplicar.

Maria Luís Albuquerque defendeu uma «maior integração fiscal» e que «este atraso» na união bancária «está a ter consequências severas» e é «uma ameaça à recuperação económica» da zona euro.

«Esta fragmentação está a ser mais nociva ainda para as pequenas e médias empresas dos países com economias mais frágeis, mais dependentes de empréstimos bancários (...) empresas semelhantes estão a ser prejudicadas pelo país onde estão colocadas. Isto é um obstáculo grande ao desenvolvimento das economias mais frágeis e à recuperação da economia europeia», sustentou.

Nas curtas declarações aos jornalistas portugueses, Albuquerque disse apenas que a união bancária «deveria avançar mais depressa» porque é «absolutamente urgente», admitindo ter uma posição «mais próxima» do Parlamento Europeu do que do Conselho.