"Ninguém deseja um desfecho difícil, mas a Europa não pode ser posta em causa por um entre 28, porque os outros 27 continuam empenhados."

A ministra das Finanças, que falou esta terça-feira, no Porto, considera que uma solução para a Grécia depende de uma atitude de reconhecimento por parte do governo liderado por Alexis Tsipras de que os restantes países da zona euro também vivem em democracias.

"A solução da crise grega, que é muito difícil, exige um reconhecimento por parte do governo grego de que os outros 18 países também vivem em 18 democracias que têm opiniões e pontos de vista legítimos e é nesse contexto que a solução deve ser procurada."

Para a governante, houve uma reação unânime dos países da zona euro à crise grega que foi, não de hostilidade, mas antes de "defesa de um património comum": a moeda única.

“A ameaça que resulta da atual crise grega levou a que todos os países representados no Eurogrupo tivessem pela primeira vez desde que assisto aos Eurogrupos uma reação unânime de defesa do euro. Interpretei isso não como ato de hostilidade mas de defesa de um património comum.”

Mais, a governante deixou um recado para os que consideram que a Europa não é democrática.

“Dificilmente há algo mais democrático do que haver uma permanente negociação para acomodar os interesses de todos.”

Portugal não cairá

A dívida portuguesa foi também outro dos pontos abordados por Maria Luís Albuquerque. A ministra comparou a dívida um "pedregulho".

"O pedregulho que temos as costas é bem mais pesado do que era antes. Temos muita dívida pública, privada e externa. Vamos precisar de tempo para resolver o problema até ele pesar menos."